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Escrito por Neo Mondo | 11 de julho de 2019
"Em São Paulo, observamos um branqueamento de 80% das colônias de coral e mortalidade de 2%. As espécies de Mussismilia são mais resistentes. É comum no Sudeste encontrar colônias mais próximas à costa com mais branqueamento, devido à ação humana", informa o oceanógrafo Miguel Mies, pesquisador do Instituto Oceanográfico da USP e membro da Rede de Pesquisas Coral Vivo.
De acordo com a bióloga e oceanógrafa Beatrice Ferreira, os efeitos do El Niño nos recifes de Tamandaré, em Pernambuco, entre 1998 e 1999, também foram severos. “Posteriormente se recuperaram, ainda que lentamente, mas mediante a implementação de várias medidas de manejo e conservação, incluindo legislação específica de proteção com a criação de áreas de preservação e a redução de impactos diretos, com envolvimento da comunidade local”, explica Beatrice que é professora da Universidade Federal de Pernambuco e coordenadora do Programa Ecológico de Longa Duração Tamandaré Sustentável (PELD).
“O Coral Vivo estuda há quase 16 anos os recifes de coral da Costa do Descobrimento e inserimos no nosso atual patrocínio com a Petrobras a construção de um banco de dados com esse monitoramento ambiental”, destaca a coordenadora geral do Coral Vivo, Flávia Guebert. Esse monitoramento, que tem gerado dados científicos bastante robustos, foi iniciado em 2016. Uma série de sensores instalados em pontos estratégicos na Costa do Descobrimento, incluindo o Parque Natural Municipal do Recife de Fora em Porto Seguro e o Parque de Coroa Alta em Cabrália, registram a temperatura da água, a cada 30 minutos, e a incidência de luz solar. Além disso, os pesquisadores realizam uma avaliação do estado de saúde das colônias de corais por meio de mergulhos, utilizando uma escala de cor internacional, denominada "Coral Watch", a qual foi desenvolvida pela Universidade de Queensland, da Austrália. O Programa Reef Check, em parceria com Coral Vivo realiza monitoramentos da saúde dos corais do Sul da Bahia e outras regiões do Brasil, com participação de voluntários, e também vem registrando o mesmo fenômeno.
O monitoramento em questão continua sendo realizado pela equipe do Projeto Coral Vivo, sendo que os dados completos serão disponibilizados à Rede de Pesquisas Coral Vivo, que é composta por 14 universidades e institutos de pesquisa. Cabe destacar que a Costa do Descobrimento é uma das áreas de maior biodiversidade marinha do Atlântico Sul e uma das áreas prioritárias do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Ambientes Coralíneos (PAN Corais).
Colonias de coral-de-fogo já apresentavam branqueamento em fevereiro neste monitoramento do Coral Vivo - Foto: DivulgaçãoINSIDER transforma borra de café em material alternativo ao couro
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