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Escrito por Neo Mondo | 17 de setembro de 2020
Esse processo faz parte de um ciclo vicioso, porque ao queimar as árvores, o nível de CO2 armazenado se lança na atmosfera, contribuindo ainda mais para o efeito estufa, responsável pelo aumento da temperatura da atmosfera. Portanto, nada referente à frequência e à proporção das queimadas é natural e, à medida em que se continua emitindo CO2 na atmosfera, mais grave as queimadas serão.
Vale lembrar que o conceito sobre mudança climática não é algo novo, mas a politização da ciência é. Charles Keeling foi o 1º cientista a descobrir como medir os níveis de CO2 na atmosfera e a concluir que desde 1958 os níveis de concentração de gases de efeito estufa só aumentaram. Em 1988, durante sessão do plenário no Congresso norte-americano, James Hansen, cientista da Nasa, revelou pela 1ª vez sua preocupação com o aumento desenfreado de emissão de CO2 na atmosfera, e como isso traria consequências irreversíveis para futuras gerações. Segundo ele, a mudança climática não era mais um tópico só acadêmico, e sim um problema que afeta a todos.
A preocupação do aquecimento global não se limitava a cientistas. A ex-primeira-ministra do Reino Unido Margaret Thatcher e o ex-presidente norte-americano George H. W. Bush, ambos de partidos conservadores, são conhecidos por se esforçarem em introduzir o debate do aquecimento global na esfera de política no final dos anos 1980. Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama também continuaram na mesma trajetória, com uma agenda para melhorar a qualidade do ar dos norte-americanos e assumiram compromissos para reduzir emissão dos gases de efeito estufa.
Hoje, o obscurantismo climático é impulsionado pela polarização política e pelas fake news. Líderes como Bolsonaro e Donald Trump alimentam um discurso ignorante para fugir da responsabilidade de lidar com as consequências climáticas que estão, a cada dia, mais evidentes e presentes. É preciso resgatar o respeito pela ciência, e exigir mudanças locais e nacionais para garantir a possibilidade de um futuro melhor para a humanidade.
*Julia Fonteles - É formada em Economia e Relações Internacionais pela George Washington University e é mestranda em Energia e Meio Ambiente pela School of Advanced International Studies, Johns Hopkins University. Criou e mantém o blog “Desenvolvimento Passo a Passo”, uma plataforma voltada para simplificar ideias na área de desenvolvimento econômico.
Artigo originalmente publicado no portal PODER 360.
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