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Escrito por Neo Mondo | 11 de novembro de 2019
Oportunidades chave para elevar a ambição climática no Brasil
- Aumento de 73% no desmatamento na Amazônia entre 2012 e 2018 à reforçar políticas sobre emissões de uso da terra e aumentar o monitoramento para atingir o desmatamento ilegal zero o quanto antes
- Subsídios para os combustíveis fósseis enquanto proporção do PIB no Brasil estão bem acima da média do G20 nos últimos anos à acabar com os subsídios aos combustíveis fósseis
- Percentual baixo de mercado (0,2%) de veículos elétricos e prevalência dos automóveis no setor de transporte à promover um plano forte de investimentos para transformar modais e eletrificar o setor de transporte.
Principais destaques do G20
Principais descobertas: desempenho nacional comparado – líderes e retardatários
Vulnerabilidade e Adaptação
Eventos climáticos extremos resultaram na morte de cerca de 16 mil pessoas e perdas econômicas de US$ 142 bilhões nos países do G20 em média todos os anos (1998-2017). Rússia, França, Itália, Alemanha e Índia são os países recordistas em termos de perdas. Limitar a elevação da temperatura global em 1,5 grau Celsius ao invés de 3 graus evitaria cerca de 70% dos impactos relacionados ao clima nos setores hídrico, de saúde e agrícola. Brasil e México são altamente vulneráveis à escassez hídrica em 1,5 grau Celsius, enquanto Brasil, França, Itália e Turquia são altamente expostos a secas. Para reduzir sua vulnerabilidade climática, todos os países do G20 possuem planos de adaptação, com exceção da Arábia Saudita.
Mitigação
NDCs: China, União Europeia e seus membros do G20, Índia, Indonésia, Rússia, Arábia Saudita e Turquia preveem atingir ou mesmo superar suas metas de NDC, com exceção de uso da terra, mudança de uso da terra e floresta (LULUCF, sigla em inglês). Isso indica que as metas das NDC desses países não são as “mais ambiciosas possíveis”, como requerido pelo Acordo de Paris. Índia tem a NDC mais ambiciosa quando comparada com sua representatividade nas emissões globais para limitar o aquecimento global em 1,5 grau Celsius. No entanto, a Índia ainda precisa agir o quanto antes para preparar seus setores para reduções significativas de emissões.
Estratégias de longo prazo: Canadá, França, Alemanha, Japão, México, Reino Unido e Estados Unidos submeteram suas estratégias de longo prazo para 2050 à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, sigla em inglês). Argentina, China, União Europeia, Índia, África do Sul, Coreia do Sul e Rússia estão preparando suas estratégias atualmente. França e Reino Unido abriram precedente e consagraram em lei metas para emissões líquidas zero até 2050.
Suprimento energético: 82% do mix energético do G20 continua vindo de fontes fósseis. O total de suprimento primário de energia de combustíveis fósseis em 2018 aumentou na Austrália, Canadá, China, Índia, Indonésia, Rússia, África do Sul, Coreia do Sul e Estados Unidos. A eficiência energética dos países do G20 melhorou desde 1990, mas os ganhos anuais de eficiência estão caindo lentamente.
Energia: Índia é o país que mais investe hoje em energia renovável, enquanto o Brasil e a Alemanha são os únicos países do G20 com estratégias de longo prazo para fontes renováveis. O Brasil lidera com 82,5% de renováveis, enquanto Arábia Saudita, Coreia do Sul e África do Sul ficam atrás com menos de 5%. Um plano para deixar de usar o carvão é necessário na Austrália, China, Índia, Indonésia, Japão, México, Rússia, África do Sul, Turquia e Estados Unidos. Indonésia e Turquia estão queimando mais carvão para geração elétrica – as emissões do setor nesses países foram as que mais aumentaram em 2018. França, Brasil e Reino Unido reduziram consideravelmente suas emissões no setor elétrico em 2018 ao se distanciar da geração energética a base de combustíveis fósseis.
Transporte: Canadá, França, Japão e Reino Unido estão liderando na restrição à venda de carros com motores a combustão. A China quase dobrou o percentual de veículos elétricos em um ano e possui as políticas mais ambiciosas para mudança rumo ao transporte público. Os Estados Unidos (24 vezes os níveis da Índia), Canadá e Austrália são os que tem maior emissão de transporte per capita. As emissões de aviação no G20 estão aumentando rapidamente na Austrália, Estados Unidos e Reino Unido, tendo a maior emissões de aviação per capita.
Construção: Estados Unidos, Austrália e Arábia Saudita tiveram as emissões per capita mais altas na construção civil, incluindo emissões baseadas em eletricidade, em 2018. Esses países também carecem de políticas ambiciosas para reduzir substancialmente as emissões do setor. Os países da União Europeia lideram com estratégias para novos edifícios com energia zero compatíveis com a meta de 1,5 grau Celsius. A União Europeia, Alemanha e França são os únicos membros do G20 com estratégias de longo prazo para adaptar edifícios existentes, mas a taxa anual de renovação não está consonante com um caminho para o 1,5 grau Celsius de aquecimento.
Indústria: A intensidade de emissões do setor industrial é a maior na Rússia, Índia e China. Ao mesmo tempo, Índia e China estão entre os membros do G20 com as políticas de eficiência energética mais progressistas.
Agricultura e uso da terra: Em 2016, as emissões dos países do G20 em agricultura caíram ligeiramente 0,4%. A pecuária é responsável por 40% das emissões agrícolas nos países do G20 e, indiretamente, causa emissões por meio do desmatamento para pastagens. Enquanto Argentina, Brasil e Indonésia têm algumas políticas para reduzir desmatamento ou apoiar reflorestamento, Austrália e Canadá não possuem qualquer política. Índia, China e México apresentam desempenho mais alto por conta de suas políticas de desmatamento de longo prazo.
Financiamento
Políticas e regulações financeiras: Todos os países do G20 começaram a discutir princípios de financiamento verde, mas as economias emergentes estão abrindo o caminho. Brasil e França são os únicos países do G20 com requisitos obrigatórios de divulgação financeira relacionados ao clima, enquanto a Indonésia é o único país do G20 com avaliação de risco relacionada ao clima obrigatória pelas instituições financeiras. Tanto a Índia como a China têm políticas obrigatórias para que bancos comerciais incentivem empréstimos verdes.
Política fiscal: Os países do G20, com exceção da Arábia Saudita (sem dados comparáveis), concederam cerca de US$ 127 bilhões em subsídios ao carvão, óleo e gás em 2017 – uma queda com relação aos US$ 248 bilhões registrados em 2013. Isso está parcialmente ligado com a queda dramática dos preços do óleo, gás e carvão ao longo deste período. Subsídios para infraestrutura e produção de gás natural cresceram em muitos países. Canadá, Argentina e Indonésia estão entre os países que economizaram bilhões de dólares ao cortar incentivos ou subsídios a combustíveis fósseis nos últimos anos.
Em média, cerca de 70% das emissões de CO2 nos países do G20 não são precificadas, ou são precificadas de maneira insuficiente, com Rússia tendo o maior gap na precificação do carbono, seguida por Indonésia, Brasil e China. No entanto, o número de países do G20 que já implementaram ou estão no processo de introdução de esquemas explícitos de precificação de carbono está aumentando. Os novatos entre 2018 e 2019 são África do Sul e Argentina.
Financiamento público: As instituições públicas nos países do G20 ainda financiaram a produção de energia a base de carvão e a exploração desse combustível fóssil entre 2016 e 2017, com investimentos internacionais de US$ 17 bilhões e domésticos de US$ 11 bilhões em média anualmente. Acabar com o financiamento ao carvão é um dos passos mais cruciais para atingir os objetivos de Paris. Os maiores financiadores externos do G20 são a China, Japão e Coreia do Sul. Instituições públicas no Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos restringem o gasto público com carvão.
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