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Escrito por Neo Mondo | 7 de novembro de 2018

“Como o Brasil ainda não tem políticas públicas específicas e o desconhecimento em torno desse tema é muito grande, idealizamos esse workshop como uma forma de discutir essa temática com vários segmentos da sociedade, como ONGs, instituições de ensino e pesquisa, governos locais, regionais e federais, empreendedores, agricultores e montanhistas, entre outros”, conta a pesquisadora Adriana Aquino, da Embrapa Agrobiologia.
O workshop envolverá quatro mesas-redondas: Desafios para ação e manejo sustentável dos ambientes de montanha, Aliança para as montanhas – trazendo a visão global para as áreas de montanha, Impactos das alterações climáticas e experiências relacionadas aos desastres naturais e, finalmente, Contribuições internacionais para políticas públicas nacionais em ambientes de montanhas. Também haverá duas sessões com relatos de experiências dos participantes relacionadas à conservação ambiental e desenvolvimento sustentável em seus ambientes de montanha.
“Para os debates, estamos trazendo especialistas do Brasil e também de Portugal, Escócia, Suíça, Estados Unidos, Alemanha, Itália, Peru, Guatemala, Argentina, Equador e Chile”, antecipa Aquino, informando ainda que haverá sessões paralelas espontâneas que vão trazer cerca de 30 relatos de experiências relacionadas ao desenvolvimento sustentável em ambientes de montanha. “Espera-se que seja um marco para o Brasil na busca de soluções e desenvolvimento sustentável para esses ambientes”, opina.
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AGRICULTURA DE MONTANHA-FOTO/ANA LUCIA FERREIRA[/caption]
A II Conferência Internacional sobre Pesquisa para o Desenvolvimento Sustentável em Regiões de Montanhas discutirá questões relacionadas às pesquisas científicas sobre montanhas e perspectivas para ampliar o conhecimento sobre o tema, envolvendo pesquisadores e outros profissionais interessados na geração e disseminação do conhecimento. A programação contará com três palestras principais e vinte e cinco simpósios que ocorrerão em sessões paralelas.
Com temas ligados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS), os simpósios estão sob a coordenação de representantes de 13 países: Brasil, Chile, Índia, China, Austrália, Peru, Equador, Paquistão, Portugal, Suíça, Argentina, Alemanha e África do Sul. “Palestrantes conceituados apresentarão os resultados de pesquisas em regiões montanhosas, com um olhar para a conexão entre ciência e políticas públicas, trazendo subsídios e estratégias para que a pesquisa possa contribuir e motivar a gestão integrada e sustentável”, aponta a pesquisadora Rachel Prado, da Embrapa Solos, uma das organizadoras do evento.
Excursões técnicas
O Mountains 2018 também terá um dia inteiro para a realização de excursões técnicas relacionadas à conservação ambiental e iniciativas inovadoras de geração de renda na região serrana do Rio de Janeiro. “A ideia é mostrar como é possível valorizar a paisagem e a geração de renda de forma sustentável, a partir da integração harmônica das comunidades com os espaços onde vivem”, fala o pesquisador Renato Assis, da Embrapa Agrobiologia.
Ao todo serão oito excursões, no dia 12, divididas nas seguintes temáticas: estratégias agroecológicas, agricultura familiar, sistemas agroflorestais e fruticultura orgânica, releitura da tradição, produção animal e agregação de valor, uso sustentável e serviços ecossistêmicos, preservação ambiental e turismo ecológico, e, por fim, gestão de áreas de risco ambiental em espaços urbanos montanhosos.
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Conjunto Montanhoso Dos Frades e Três Picos Autor-Hugo de Castro[/caption]
Sobre o evento
Esta será a segunda edição do Mountains. A primeira foi realizada em 2016, em Bragança, Portugal. Na ocasião, foi lançada a Rede de Investigação de Montanha da Lusofonia – LuMont, justamente com o intuito de fortalecer o intercâmbio entre os países de língua portuguesa. Neste ano, espera-se também ampliar essa troca de experiências para os países da América Latina e do Caribe. “A grande expectativa do Mountains 2018 é ampliar a discussão sobre os ambientes de montanha em todo o mundo, estimulando a articulação e a formação das redes de pesquisa nesses ambientes nos diversos níveis”, afirma o pesquisador Mauro Pinto.
“Como o Brasil ainda não tem políticas públicas específicas para as montanhas e o desconhecimento em torno desse tema é muito grande, esperamos discutir essa temática com vários segmentos da sociedade, como ONGs, instituições de ensino e pesquisa, governos locais, regionais e federais, empreendedores, agricultores e montanhistas, entre outros”, acrescenta a pesquisadora Adriana Aquino, da Embrapa Agrobiologia.
O Mountains 2018 conta com a chancela da Unesco e o apoio de várias instituições nacionais e internacionais. A organização é de instituições do Brasil, Portugal e Escócia: Embrapa, Centro de Investigação de Montanha, Instituto Politécnico de Bragança, Universidade Federal do Ceará, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Crescente Fértil, Mountain Partnership e University of Highlands and Islands. O evento está sendo promovido também como parte das comemorações dos 200 anos do município fluminense de Nova Friburgo.
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Pedra do Cão Sentado, Nova Friburgo - Foto/Divulgação[/caption]
Um pouco mais sobre as Montanhas
Segundo a FAO-Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, as montanhas cobrem 22 por cento da superfície da Terra e proporcionam meios de subsistência e bem-estar direto a quase 915 milhões de pessoas que vivem nestes ambientes ao redor do mundo. Mas indiretamente beneficiam bilhões de pessoas, pois são a fonte de mais de 60 por cento da água doce do mundo, gerando energia e alimentos, recursos cada vez mais escassos.
Esses ambientes são considerados vulneráveis a mudanças climáticas, processos de desmatamento, instabilidade geológica e práticas agrícolas não adequadas que provocam deslizamentos de terra, erosões e perda da fertilidade dos solos, com severas consequências sociais. Mas por outro lado, é possível afirmar que os produtos e os serviços de montanha têm um grande potencial para impulsionar as economias locais como, por exemplo, o turismo de montanha que hoje representa de 15 a 20% da indústria turística mundial.
Além do turismo, é crescente a demanda por alimentos e bebidas de alta qualidade produzidos em áreas de montanha, como café, mel, ervas e especiarias, bem como artesanato, cosméticos e remédios. No Brasil, um exemplo específico é o café ecológico da Serra de Baturité, no Ceará, que deve suas características especiais por ser produzido em ambiente de montanha. “Nesse caso, elementos como a altitude, a vegetação, que permite o cultivo em regime de sombreamento natural, o clima, o solo rico e protegido, assim como a umidade, fazem desse café um produto especial”, esclarece a professora Mônica Amorim, da Universidade Federal do Ceará e representante do Brasil na Associação Internacional das Montanhas Famosas.
Serviço: Mountains 2018 Data: 10 a 14/12 Local: Nova Friburgo, Rio de Janeiro Inscrições: http://www.mountainsbr.com/PT

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