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Escrito por Neo Mondo | 29 de outubro de 2018
A Exxon, por exemplo, vendia suas ações como um investimento seguro, tentando atrair investidores de longo prazo como fundos de pensão e empresas de seguro de vida. Segundo Underwood, a empresa “construiu uma fachada para convencer os investidores de que estava administrando os riscos da regulação climática quando, de fato, estava intencional e sistematicamente subestimando-os ou ignorando-os”.
A matemática do clima é implacável com as empresas de combustíveis fósseis. Se quiser evitar que o aquecimento global chegue a 2oC, como determina o Acordo de Paris, a humanidade não poderá emitir mais do que 500 bilhões de toneladas de gás carbônico daqui até o final dos tempos. Como a queima de combustíveis fósseis é a maior fonte de emissões do planeta, isso significa que a maior parte das reservas de hidrocarbonetos do mundo terá de ficar no subsolo, o que tem impacto direto sobre o futuro de empresas como a Exxon, a Shell e a brasileira Petrobras.
Neste mês, o IPCC, o painel do clima das Nações Unidas, publicou um relatório que torna a realidade das petroleiras ainda mais dura: se a humanidade quiser evitar que o aquecimento global ultrapasse 1,5oC, terá de cortar 45% das emissões nos próximos 12 anos. Não há como fazer isso mantendo o ritmo atual de extração e uso de petróleo.
“A ação contra a Exxon tende a acender a luz amarela no mundo todo sobre o risco financeiro de continuar a investir em petróleo”, disse Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima. “O Brasil, que faz uma aposta arriscada nesse setor ao dar subsídios de centenas de bilhões de reais para a exploração do pré-sal até 2040, deveria prestar atenção a esse alerta e acelerar mudanças na Petrobras no sentido de uma economia de baixo carbono.”
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