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Escrito por Neo Mondo | 20 de fevereiro de 2019
O resultado geral do Carbon Clean 200 foi afetado nesta edição pela desvalorização sofrida por companhias chinesas em 2018 em decorrência da guerra comercial protagonizada por Estados Unidos e China. O ano passado foi o pior em uma década para as ações chinesas: os índices das Bolsas de Xangai e Shenzhen caíram 24,6% e 33,25% em 2018, respectivamente. No entanto, quando as ações dessas companhias são excluídas, o desempenho das empresas do grupo é significativamente maior que o da economia como um todo, o que aponta a resiliência das empresas de baixo carbono e seu potencial de crescimento para o futuro.
"Normalmente, durante períodos de instabilidade no mercado financeiro, as chamadas ações defensivas, de baixo potencial de retorno, acabam superando o desempenho das ações de maior potencial de crescimento futuro", explica Toby Heaps, CEO da Corporate Knights e um dos autores do Carbon Clean 200. "Esse levantamento está repleto de empresas com ações de alto potencial de crescimento, mas ainda assim o desempenho financeiro delas é superior ao mercado como um todo quando excluímos as empresas chinesas. Isso sugere que os mercados estão recalibrando o valor das ações associadas a energia limpa, por exemplo, que oferecem uma proposta de valor superior e duradoura em uma economia de baixo carbono".
Para esta edição, a metodologia foi atualizada, utilizando a base de dados sobre desempenho corporativo limpo da Corporate Knights, para capturar áreas da economia limpa que se encontram além da eficiência energética, energia verde, emissões zero e veículos elétricos. Isso resultou na inclusão de novos setores e de novas empresas no levantamento, que se refletiu na composição geral do ranking com a estreia de 87 novas companhias em comparação ao último levantamento, apresentado em julho de 2018.
Os novos setores contemplados pelo Carbon Clean 200 são: bancos financiando soluções de baixo carbono, construtoras e companhias imobiliárias focadas em edificações de baixo carbono, empresas de economia florestal que ajudam a proteger floresta em pé e captura de carbono, mineradoras responsáveis, empresas alimentícias e de vestuário com pegada de carbono mais baixa, e companhias de tecnologia da informação e comunicação (TIC) que utilizam energia renovável.
A nova líder do Carbon Clean 200 é uma das novatas no levantamento: a Alphabet, empresa holding da Google, que vem investindo bilhões de dólares nos últimos anos para atingir sua meta de 100% de energia renovável alimentando suas operações.
"O tipo de energia que uma empresa de TIC é importante porque projeta-se que esse setor deverá corresponder a 20% do consumo global de eletricidade até 2025", explica Andrew Behar, CEO da As You Sow e um dos autores do levantamento. "A Google ter 100% de sua energia provida por fonte renovável é o equivalente a retirar um milhão de automóveis das ruas em todo o mundo permanentemente".
Oito companhias brasileiras estão nesta edição do Carbon Clean 200. Destaca-se o Banco do Brasil, que estreia nesse levantamento no Top 10 de empresas com maior lucro decorrente de produtos e serviços de baixo carbono. Isso se deve particularmente à operação do financiamento oferecido pelo governo federal no âmbito do Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC).
As demais empresas brasileiras no Carbon Clean 200 são: Cemig (69ª colocação), com produção e distribuição de eletricidade renovável; Natura (74ª), com cosméticos orgânicos; Eletrobrás (79ª), com hidreletricidade; Engie Brasil Energia (86ª), com produção de eletricidade renovável; Biosev (160ª), com produção de etanol; Energias do Brasil (174ª), com produção de eletricidade renovável; Light (186ª), com produção e distribuição de eletricidade renovável; e WEG (198ª), com motores elétricos, geradores e transformadores.
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