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Escrito por Neo Mondo | 4 de junho de 2018
A partir dos resultados, foi desenvolvida uma prótese ocular para reposição do volume do globo ocular em face da retirada de tumores. A proposta de associar em uma prótese melhor adaptação cirúrgica, geometria compatível com o globo ocular humano (cônica em vez de esférica) e adesão singular aos tecidos oculares – em uma tecnologia nacional – resultou em um design inovador, sugerindo nova abordagem na área da oftalmologia.
Entre o tempo de confecção da prótese e a realização do procedimento cirúrgico – com coleta de pacientes, submissão em conselho de ética e aplicação dos testes – foram cerca de dois anos de pesquisa, além dos seis meses iniciais para a definição dos moldes, e mais um ano para a confecção e produção da primeira prótese com dimensões adequadas ao olho humano.
Os testes foram feitos nos hospitais universitários da Unesp, em Botucatu, e da Universidade de São Paulo (USP), na capital paulista, em 40 pacientes cegos, com o implante de prótese sólida e cônica, de geometria e peso proporcionais, e canais que servem de melhor ancoragem e adesão de tecidos, comprovando sua eficácia.
Segundo Peitl, pesquisador responsável pela tecnologia, atualmente a prótese mais utilizada para a substituição de olhos humanos é esférica, confeccionada com material plástico poroso (importado), cuja adesão permite que parte do tecido cresça dentro dos “poros”, fixando-a no corpo. As próteses oculares inertes e plásticas que não têm resposta bioativa se mantêm na posição, criando uma cápsula fibrosa.
Para a nova tecnologia, os pesquisadores desenvolveram canais ao longo da prótese cônica, com o objetivo de diminuir o peso, para obter melhor resposta biológica e aumentar a área de contato do implante com o hospedeiro e, assim, a adesividade entre eles.
Os pesquisadores tinham grande expectativa com relação ao desenvolvimento da prótese, mas os resultados superaram a viabilidade porque a aplicação não apresentou nenhum problema técnico. Além disso, Peitl ressalta que o design da prótese, com canais e geometria que contribuem para que o organismo não a recuse, foi o principal diferencial da tecnologia.
“Não tínhamos ideia do que íamos desenvolver quando começamos a falar em olhos humanos, mas havia a necessidade de um design diferenciado e essa foi a nossa proposta. Buscar soluções com equipe multidisciplinar tornou o nosso resultado fantástico, pois um profissional isolado não resolve problemas sozinho”, disse em comunicado da UFSCar.
O grupo aguarda o interesse de empresas que possam produzir a tecnologia em escala industrial, principalmente para pacientes do SUS, sendo também uma opção para o sistema de saúde privada com diferencial inovador e sem concorrentes no mercado.
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