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Escrito por Neo Mondo | 9 de julho de 2018
Entre 1970 e 2016, as emissões do setor agropecuário aumentaram 165%. Nos últimos dez anos, as emissões registraram crescimento de cerca de 40%, enquanto a produção agrícola aumentou 130% e a produção de carne bovina, 180%. O país é o terceiro maior emissor global por agropecuária, atrás apenas de China e Índia. Em 2017, a agropecuária representou 5,3% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, registrando crescimento de 13% em relação a 2016, ano da análise.
Para o pesquisador da área de Clima e Cadeias Agropecuárias do Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola), Ciniro Costa Junior, um dos responsáveis pela condução do estudo, o resultado revela que a agropecuária brasileira continua sendo pautada por mecanismos de baixa eficiência, que afetam o clima e a produtividade no campo. “Embora a agropecuária seja o principal motor da economia brasileira, o passivo climático deixado por ela é muito grande. E a falta de políticas públicas olhadas para o setor, que poderiam criar estímulos às boas práticas, amplia a discussão para que haja uma mudança significativa, para uma gestão de eficiência, que olhe de maneira mais assertiva e trate de soluções para as propriedades”, afirma.
Para o pesquisador do Imaflora, a capacidade do Brasil de liderar e orientar a definição de políticas públicas para o setor, propondo soluções para a pecuária de baixo carbono, deveria nortear as ações governamentais dos próximos anos. “Alguns estudos indicam que os setores da pecuária e do uso da terra poderiam ser responsáveis por até 30% da mitigação de carbono que o País precisa para reverter o quadro de mudanças climáticas. Isso é bastante interessante porque pode ser utilizado em estratégias para o cumprimento das metas do Acordo de Paris, assinado pelo Brasil em 2015”, aponta.
Um dos exemplos citados por Costa Junior é o da cana-de-açúcar. Em São Paulo, as emissões pela queima de resíduos da cana foram reduzidas em 70% com o Protocolo Agroambiental, que determinou a eliminação da queima para colheita de forma gradativa até 2017. “O fim da queima da cana de açúcar é um exemplo positivo, que mostra um potencial de mudança que pode ser reproduzido em estratégias para a agropecuária. É um modelo que mostra como o alinhamento entre os setores público e privado podem dar certo e gerarem resultados para a população”, acrescenta.
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