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Tartarugas-marinhas sobreviveram à extinção dos dinossauros. Mas podem não sobreviver a nós

Escrito por Neo Mondo | 17 de janeiro de 2020

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Uma das tartarugas-marinhas que rastreamos com um GPS para entender a rota de migração que elas fazem para se alimentar. Foto: © Jody Amiet / Greenpeace

POR - GREENPEACE / NEO MONDO

Atividades econômicas, como  pesca e a exploração de petróleo, estão exercendo tanta pressão sobre as populações desses animais em todo o mundo que seis das sete espécies estão ameaçadas de extinção
A vida das tartarugas-marinhas está sob ameaça. É o que diz um novo estudo do Greenpeace “Tartarugas-marinhas sob ameaça: Por que as viajantes dos oceanos estão em risco” (em inglês, aqui). Por meses, rastreamos tartarugas-de-couro depois que elas deixaram seus ninhos na Guiana Francesa e constatamos que, agora, elas precisam viajar quase o dobro da distância para se alimentar em comparação com os grupos observados na década de 1990. A mudança no comportamento é fruto do aumento rápido da temperatura dos oceanos e das alterações nas correntes, ambas causadas pelas mudanças climáticas. E, segundo o estudo, como estão tendo que viajar mais, a energia extra gasta pelas tartarugas-marinhas provavelmente reduzirá o número de ovos que elas vão depositar a cada estação, reduzindo ainda mais o tamanho da população. No litoral da Guiana Francesa, o número de ovos postos pelas tartarugas-marinhas  é aproximadamente 100 vezes menor agora do que no estudo anterior: são menos de 200 ninhos por temporada. Nos anos 90 eram 50 mil. As tartarugas-marinhas sobreviveram à extinção dos dinossauros, mas podem não sobreviver à presença dos seres humanos na Terra. Nossas atividades econômicas exerceram uma pressão tão severa sobre as populações desses animais em todo o mundo que seis das sete espécies estão ameaçadas de extinção. Para o estudo, pesquisadores colocaram GPSs em dez tartarugas nas praias da Guiana Francesa, e rastrearam suas migrações pelo oceano Atlântico Norte. Para encontrar áreas de alimentação, algumas delas nadaram até o Canadá, outras até a França. Cada uma delas recebeu um nome e uma, a Frida, foi encontrada morta em uma praia no Suriname, a apenas 120 quilômetros de seu ponto de partida. Ela ficou presa em uma rede de pesca e morreu afogada. Para proteger as tartarugas-marinhas e todas as formas de vida dos mares, o Greenpeace está em uma expedição do Polo Norte ao Polo Sul, defendendo a criação de um Tratado Global dos Oceanos. Este documento, acordado entre as nações do mundo abriria o caminho para uma rede global de santuários marinhos, que podem proteger as espécies. Segundo cientistas, precisamos de santuários em 30% dos oceanos do mundo até 2030. Isso daria a tartarugas marinhas, a todas as outras formas de vida marinha e aos próprios oceanos, o espaço necessário para se recuperar de atividades humanas prejudiciais.
Foto - Pixabay
 

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