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Nova York depois de Belém: menos anúncio, mais sistema operacional

Escrito por Neo Mondo | 9 de outubro de 2026

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Nova York reúne o debate climático; o próximo passo é transformar compromissos em decisões, investimentos e práticas cotidianas - Imagem gerada por IA - Ilustrativa/Neo Mondo

ARTIGO

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Por - Rubens Filho*, especial para o Neo Mondo

Pela terceira vez consecutiva estive na Climate Week NYC representando o Pacto Global da ONU - Rede Brasil. Nesses três anos, vi a narrativa mudar, as preocupações amadurecerem e muita gente nova chegar. O que isso é bom! A conversa mudou de tom. Menos promessas grandiloquentes, mais perguntas difíceis sobre execução. Não é pouco. A edição de 2026 reuniu, mais uma vez, lideranças de governos, empresas e sociedade civil em mais de mil eventos, com temas que vão de eletrificação e cadeias de suprimento a justiça ambiental, saúde e inteligência artificial. E acontece num momento peculiar, já que a COP30 ficou para trás, Belém entregou o que pôde, e a COP31 se desenha com uma agenda de ação mais tímida. Tímida, mas ainda provocativa. A pergunta que atravessou Manhattan foi justamente essa, ou seja, como transformar compromisso em estratégia, investimento e resultado quando o impulso político diminui?

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Para nós, brasileiros, a semana começa antes. No SDGs in Brazil, na sede da ONU, em evento do próprio Pacto Global, o embaixador Sérgio Danese rebateu a narrativa de que as Nações Unidas perderam relevância. Talvez o mundo tenha ficado impaciente demais, exigindo respostas instantâneas de instituições que nunca foram feitas para ser instantâneas. E aqui vai a provocação; e se, em vez de cobrar que a ONU ande mais rápido, usássemos este momento para implementar aquilo que dizemos querer dela? Danese ainda lembrou a possibilidade real de que a próxima pessoa a ocupar a Secretaria-Geral seja uma mulher. Finalmente.

A urgência, porém, não é retórica. Johan Rockström lembrou que sete dos nove limites planetários já foram ultrapassados e que a probabilidade de múltiplos pontos de não retorno, que já passa de 1%, caminha para 10%. E o problema vai muito além do clima, ela ataca a perda de biodiversidade, uso de água doce, aerossóis, fluxos bioquímicos e o acúmulo de novas substâncias químicas nos nossos sistemas. Estamos ignorando os alarmes do planeta por nossa conta e risco.

O que me dá esperança é ver onde a conversa aterrissou. A água, doce e salgada, ganhou protagonismo. Do lançamento da visão 2030 da Friends of Ocean Action, com Peter Thomson, ficou uma provocação. Do espaço, conseguimos ver qualquer área desmatada, mas ainda não sabemos medir com a mesma precisão a temperatura e a disponibilidade de água no oceano. No dia seguinte, o CEO Water Mandate, iniciativa global do Pacto para o tema de água, apresentou a metodologia de Impacto Hídrico Positivo, e empresas discutiram ação coletiva em bacias hidrográficas, e não apenas metas individuais. 

No encontro com lideranças C-level promovido com o UBS BB, com apoio do Pacto Global da ONU - Rede Brasil e a ANBIMA, executivos compartilharam não só oportunidades, mas também vulnerabilidades. Ficou claro que sustentabilidade precisa estar no sistema operacional da empresa, e não num programa paralelo. Quando ela entra no dia a dia de quem opera, deixa de ser discurso e vira prática.

Mas é preciso honestidade. Calvin Lawrence, lá no primeiro dia de Climate Week, durante nosso evento na ONU, alertou para nossa dependência de uma inteligência artificial que dá respostas diferentes à mesma pergunta e que pode reproduzir racismo, machismo e xenofobia com a mesma facilidade com que gera conhecimento. Lá, na mesma sala icônica da ECOSOC (Conselho Econômico e Social das Nações Unidas), Erika George lembrou que não há progresso sem direitos humanos. E Bayo Akomolafe perguntou se não estamos repetindo as crises enquanto tentamos resolvê-las.

Talvez a resposta não seja correr mais rápido rumo às soluções, mas parar e perguntar que tipo de mundo essas soluções estão criando. Com uma COP31 menos ambiciosa no horizonte, cabe ao setor privado e à sociedade manter a régua alta. Com humildade, com coragem e com as pessoas no centro.

foto de rubens filho, autor do artigo Nova York depois de Belém: menos anúncio, mais sistema operacional
Rubens Filho - Foto: Divulgação

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