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A cidade que aprendeu a ceder ao mar

Escrito por Neo Mondo | 3 de novembro de 2026

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Cidade desfeita, Atafona tem os escombros das casas dentro do mar, e a advertência da Defesa Civil não afasta os banhistas - Foto: Thiago Freitas 25/08/2025 / OECO / CDP

POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DO NEO MONDO

Série especial do Neo Mondo sobre o avanço do mar nas cidades brasileiras, produzida no 6º Edital Conexão Oceano de Comunicação Ambiental, promovido pela Fundação Grupo Boticário em cooperação com a UNESCO

O edital recebeu 94 inscrições, recorde da iniciativa, e selecionou cinco propostas. Esta é uma delas.

A série partiu de uma recusa. Em vez de tratar as soluções baseadas na natureza como novidade técnica, ela inverteu o enquadramento: a natureza sempre foi a infraestrutura, e o concreto é que foi o desvio caro. Manguezais, restingas e dunas fazem há séculos o trabalho que muros de contenção fazem mal e por pouco tempo. A pergunta que abria o projeto era direta. Se já sabemos o que funciona, por que ainda construímos muros?

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A apuração respondeu de um jeito que a pergunta não previa. Em nenhuma das três cidades o problema é falta de conhecimento. Atafona tem diagnóstico e perde oito metros de praia por ano. Santos tem plano climático, convênio com universidade e estudo de prejuízo projetado até 2100, e trata as suas duas costas em ritmos diferentes. Itapema faz gestão de orla desde 2006 e contratou uma engorda de R$ 60 milhões hoje contestada pelo Ministério Público. O Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro existe desde 1988.

A distância não está entre saber e não saber. Está entre saber e decidir.

Cinco reportagens percorrem três cidades, do Rio de Janeiro a Santa Catarina, com pesquisadores da USP, da Unicamp, da Unifesp, da UFF, da UFRJ, da UENF e da Furg, respostas oficiais de prefeituras e órgãos ambientais, quatro trabalhos científicos e uma ação civil pública. A curadoria científica é do professor Alexander Turra, do Instituto Oceanográfico da USP.

Leia a série na ordem ou comece por onde quiser. Cada reportagem se sustenta sozinha.

Atafona (RJ)
Atafona perde 8 metros de praia por ano, e a obra que devia frear o mar ainda não existe

Santos (SP), a obra que afundou
Barreira contra o mar em Santos afundou 1,18 metro e segue sem fiscalização

Santos (SP), o porto e a areia
O porto que tira a areia da praia de Santos também impede a forma mais barata de devolvê-la

Santos (SP), a outra costa
Santos sufoca sob lixo e esgoto o manguezal que poderia protegê-la do mar

Itapema e Balneário Camboriú (SC)
Itapema promete praia 70 metros mais larga; o órgão ambiental prevê 20, e a obra foi parar na Justiça

Série produzida no âmbito do Edital Conexão Oceano de Comunicação Ambiental, promovido pela Fundação Grupo Boticário em cooperação com a UNESCO. Curadoria científica de Alexander Turra, professor titular do Instituto Oceanográfico da USP, coordenador da Cátedra UNESCO para a Sustentabilidade do Oceano e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza. O professor integra o conselho editorial do Neo Mondo.

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