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Escrito por Neo Mondo | 12 de fevereiro de 2026
ExxonMobil e a força da economia circular na prática: trabalhadores da nova cooperativa em Ananindeua transformam resíduos em renda, dignidade e impacto real na Amazônia urbana - Foto: Divulgação/ExxonMobil
POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO
Nova cooperativa de reciclagem em Ananindeua reforça estratégia de longo prazo na Amazônia urbana e levanta reflexões sobre legado, energia e responsabilidade corporativa
Celebrar 114 anos no Brasil não é pouca coisa. É atravessar guerras, crises econômicas, transformações energéticas e revoluções tecnológicas. Mas, em 2026, longevidade sozinha já não impressiona. O que realmente conta é o que se constrói daqui para frente.
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É nesse contexto que a ExxonMobil amplia sua presença socioambiental no Pará com a inauguração de uma nova cooperativa de reciclagem em Ananindeua, na região metropolitana de Belém. Mais do que um gesto simbólico, a iniciativa dialoga com um desafio estrutural: a gestão de resíduos sólidos em uma das capitais com menor índice de reciclagem do país.
Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), Belém registra apenas 0,45% de aproveitamento de resíduos recicláveis — o menor índice entre as capitais brasileiras. O número é quase um retrato de invisibilidade urbana.
E é aí que o projeto ganha relevância.
A nova cooperativa recebeu aporte superior a R$ 300 mil, destinado à YouGreen, organização especializada em soluções ambientais e gestão de resíduos. A iniciativa se soma à cooperativa inaugurada em Santarém em 2022. Desde o início da parceria, os investimentos da ExxonMobil na instituição já ultrapassam R$ 1 milhão.
Mas o impacto não se resume ao valor financeiro.
Projetos dessa natureza fortalecem a cadeia da reciclagem, formalizam o trabalho de catadores, ampliam renda e estruturam um ecossistema de economia circular em territórios que historicamente ficaram à margem das políticas públicas.
Num estado estratégico como o Pará — que recentemente esteve no centro do debate climático global — investir em resíduos significa investir em dignidade urbana, inclusão produtiva e transição para um modelo mais circular.
O movimento também acontece poucos meses após o início da primeira produção de óleo e gás da ExxonMobil no Brasil, no campo de Bacalhau, na Bacia de Santos, em parceria com Equinor (operadora), Galp e PPSA.
Aqui está a camada mais interessante da narrativa.
Vivemos um tempo em que a demanda por energia continua crescendo, enquanto a pressão por descarbonização se intensifica. Empresas do setor energético operam numa encruzilhada histórica: precisam garantir segurança energética e, ao mesmo tempo, responder às exigências sociais e ambientais de um planeta em transformação.
Ao investir em gestão de resíduos na Amazônia urbana, a ExxonMobil parece sinalizar que compreende que sustentabilidade não pode ser periférica ao negócio — ela precisa caminhar junto.
Como afirmou Alberto Ferrin, presidente da ExxonMobil Brasil, os projetos reforçam o compromisso de longo prazo com o país e com soluções sustentáveis em regiões estratégicas.
Talvez a pergunta mais provocativa não seja sobre o investimento em si — que é positivo e necessário. A pergunta mais profunda é outra:
O que significa, para uma empresa centenária de energia fóssil, construir presença social na Amazônia no século XXI?
Se antes o debate girava em torno da exploração, hoje ele gira em torno da legitimidade.
A nova geração de consumidores, investidores e governos não avalia apenas performance financeira. Avalia impacto territorial, coerência estratégica e capacidade de adaptação.
Nesse sentido, completar 114 anos deixa de ser apenas um marco histórico. Passa a ser um teste de reinvenção.
A ExxonMobil atua no Brasil desde 1912, mantém cerca de 2 mil funcionários e participa de 17 blocos exploratórios, além de um campo em desenvolvimento. É uma presença robusta, consolidada.
Mas o Brasil de 2026 é diferente do Brasil de 1912 — e até do Brasil de 2012. A agenda ESG amadureceu. A sociedade civil está mais vigilante. O debate sobre clima, biodiversidade e justiça social ganhou densidade.
Projetos como o de Ananindeua indicam um movimento na direção da corresponsabilidade. Ainda assim, o verdadeiro legado será medido pela continuidade, escala e transparência dessas iniciativas.
No fim das contas, talvez o maior significado desses 114 anos seja este: não sobreviver ao tempo, mas acompanhar a transformação dele.
E essa, convenhamos, é a parte mais desafiadora da história.
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