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RIO OCEAN WEEK 2025: quando o Rio virou a capital do oceano

Escrito por Neo Mondo | 29 de outubro de 2025

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A Rio Ocean Week 2025 mostrou que o oceano não é um tema distante — é a essência da vida e precisa estar no centro da agenda climática global - Imagem gerada por IA - Foto: Ilustrativa/Divulgação

Por - Oscar Lopes, publisher de Neo Mondo, cobertura especial da Rio Ocean Week 2025 — Museu do Amanhã, Rio de Janeiro

Um mergulho coletivo de esperança, arte e ciência pela vida azul do planeta

Foram cinco dias que pareciam um só. Um turbilhão de vozes, cores, sons e ideias se misturando à brisa do mar e às ondas da Baía de Guanabara. Eu estava lá — e ainda estou, de algum jeito. Porque a Rio Ocean Week 2025 não foi apenas um evento; foi uma maré de esperança, uma convocação poética e urgente para olharmos o oceano como ele realmente é: o coração pulsante da Terra.

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Logo no primeiro dia, o Museu do Amanhã ganhou outro ritmo. A cidade parecia respirar diferente. Jovens, cientistas, artistas, pescadores, ambientalistas, empresários e curiosos se encontraram num mesmo propósito — o de reconectar o humano ao oceano. E não havia como não se emocionar. A cada passo, uma exposição, um painel, uma música, um sorriso. Era como se o mar tivesse se materializado em forma de gente.

Dia 1 – O mar chama

Quando o sol começou a refletir no espelho d’água do Museu do Amanhã, senti que algo grande estava prestes a acontecer. “O mar chama!”, dizia o slogan — e chamava mesmo. A primeira edição da Rio Ocean Week começava com força, unindo ciência, cultura, ativismo e emoção em um mesmo palco. O auditório lotado, as cadeiras de praia espalhadas pelo píer, e aquele vento que parecia sussurrar: “é tempo de agir”.

Os debates de abertura trouxeram nomes importantes da agenda azul brasileira e internacional. O clima era de convergência. Falava-se de economia do mar, inovação sustentável, turismo regenerativo, educação oceânica e, claro, das expectativas para a COP30, que em breve transformará Belém na capital climática do planeta.

Enquanto os painéis aconteciam, o público circulava entre instalações artísticas — como a obra feita inteiramente de resíduos plásticos coletados nas praias cariocas — e ações interativas sobre biodiversidade marinha. Era o Rio virando mar, literalmente.

E a abertura foi à altura do momento: um talk show emocionante com o cantor e compositor Lenine, que subiu ao palco no auditório do Museu do Amanhã, no dia 22 de outubro, às 19h, para conversar — e cantar — sobre o poder da arte como ferramenta de transformação. Ao seu lado, nomes que representam a diversidade do movimento azul: Alexander Turra, biólogo, educador, pesquisador e comunicador. Professor titular do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo e coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano; Isabel Swan, velejadora olímpica; Karina Oliani, médica e aventureira; Adeimantus Carlos da Silva, liderança comunitária; e Lorena Froz, ativista da juventude oceânica.

Ver Lenine abrir a Rio Ocean Week foi como ouvir o próprio oceano respirar. Ele cantou, falou sobre a relação entre música e natureza, e deixou no ar uma frase que ficou ecoando o resto da semana: “A arte é uma onda que não quebra — ela transforma.”

Era o início de uma jornada que o Brasil precisava viver.

Dia 2 – Vozes do oceano

O segundo dia foi de histórias. Histórias que vêm do mar, de comunidades pesqueiras, de mulheres que vivem da maré, de cientistas que dedicam a vida a entender o azul profundo. Assisti à mesa “Gente do Mar”, e confesso: saí com os olhos marejados. Como descrever a força de quem vive o oceano todos os dias?

Ali, percebi que a Rio Ocean Week não era feita só de discursos — era feita de gente. Gente como Marinês Scherer, Enviada Especial da COP30 para os Oceanos, que defendeu com firmeza: “Se quisermos enfrentar a crise climática, o oceano precisa estar no centro da conversa”. E estava. Em cada fala, em cada aplauso, em cada olhar de quem compreende que o oceano não é cenário — é protagonista.

Dia 3 – Esquenta COP

O terceiro dia foi uma verdadeira “pré-COP30”. Um esquenta que reuniu governo, academia, empresas e sociedade civil para discutir o que o Brasil deve levar para Belém. O painel Esquenta COP teve o clima de urgência de quem sabe que o tempo está escorrendo pelos dedos. Mas também um sopro de otimismo, daqueles que acreditam que o futuro ainda é possível — e azul.

As falas foram potentes: falou-se de transição energética, economia azul, justiça climática, inovação e inclusão. O consenso era claro — proteger o oceano é proteger a vida. “A COP30 será o grande momento para o Brasil mostrar que pode ser potência ambiental e oceânica”, ouvi e anotei. Concordei em silêncio.

Dia 4 – Maré de cultura

A arte tomou conta da programação. Entre painéis e apresentações, o público foi presenteado com o lançamento do livro Histórias que Vêm do Mar — uma coletânea de relatos inspiradores sobre o oceano, a vida costeira e as transformações humanas que nascem das águas. As páginas tinham cheiro de sal e esperança.

No palco, o cantor Lenine fez o público vibrar com uma performance intimista, ao lado de jovens músicos e artistas plásticos. Era impossível não sentir que estávamos participando de algo histórico — um novo movimento de cultura oceânica nascendo diante dos nossos olhos.

Dia 5 – O chamado de Paul Watson

E então veio o encerramento — épico, simbólico, necessário. O documentário Watson foi exibido com o peso de uma mensagem urgente. Paul Watson, fundador da Sea Shepherd e cofundador do Greenpeace, não pôde embarcar ao Brasil, mas sua voz ecoou forte no auditório: “O oceano não precisa de heróis. Precisa de todos nós”.

🎥 Veja AQUI a mensagem completa de Paul Watson

As luzes se apagaram e, por um instante, o silêncio tomou conta. Um silêncio de respeito, de emoção, de promessa. Ali, percebi que a Rio Ocean Week não acabava. Ela apenas se transformava — em ação, em propósito, em movimento.

O depois da maré

Agora, de volta à redação, ainda ouço o barulho das ondas e o coro das vozes que ecoaram no Museu do Amanhã. A Rio Ocean Week 2025 provou que o Brasil tem alma oceânica — e que, quando une ciência, arte e amor pelo mar, pode inspirar o mundo.

A próxima parada é Belém, na COP30. Mas o que começou no Rio não vai parar. O oceano chamou — e nós respondemos.

E que venha a SP OCEAN WEEK 2026, dias 20 a 24 de maio, no Memorial da América Latina, aguardem.

foto do banner dos apoiadores e patrocinadores da rio ocean week, remete a matéria Bunker One dá show de sustentabilidade com projeto de upcycling na Rio Ocean Week

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