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Escrito por Neo Mondo | 9 de março de 2026
L'Oréal , Centro de Pesquisa e Inovação - Foto: Ilustrativa/Freepik
POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO
O Brasil já não é apenas um mercado de destino para a L'Oréal. É, crescentemente, um centro de origem
O grupo francês mantém na Cidade Universitária da UFRJ, no Rio, um dos sete centros globais de pesquisa e inovação da companhia. A unidade, em operação desde 2017, desenvolve formulações adaptadas à diversidade capilar e dermatológica do país — e alguns desses produtos cruzaram fronteiras: foram lançados globalmente a partir do Brasil.
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A lógica é simples e, para a L'Oréal, estratégica. O Brasil concentra uma das maiores variedades de tipos de cabelo do mundo. Resolver esse problema aqui é resolver um problema de escala global.
Nicolas Hieronimus, presidente do grupo desde 2021, visitou o Rio em fevereiro. Em suas palavras, o Brasil é "um mercado de beleza singular" — não apenas pelo tamanho, mas pelo que ensina.
Os números sustentam a afirmação. Em 2025, emergentes responderam por 40% do crescimento da companhia. Brasil e México lideraram esse movimento, com o Brasil acelerando de forma mais pronunciada, especialmente em cuidados capilares. A empresa figura entre as três maiores do setor no país, segundo a Euromonitor.
O mercado brasileiro de beleza é o terceiro maior do mundo, atrás de Estados Unidos e China. A L'Oréal detém cerca de 9% de participação local — abaixo de sua média global de 15%. A distância entre esses dois números é, para o grupo, uma tese de crescimento.
Parte da aposta passa por isolamento cambial. Noventa e cinco por cento dos produtos vendidos no país são fabricados localmente, em unidade própria em São Paulo que recebeu R$ 270 milhões em investimentos nos últimos três anos. Oscilações do real afetam o balanço consolidado em euros, mas não a competitividade no ponto de venda.
O comércio eletrônico responde por 30% das vendas globais do grupo e funciona como vetor de penetração em mercados continentais como o Brasil. Hieronimus é direto: "Somos uma empresa digital neste país."
A categoria capilar cresce acima das demais no Brasil, impulsionada por novos rituais de cuidado — esfoliação, selagem, pré-xampu — que analistas da Euromonitor descrevem como "skinificação" dos cabelos: a transposição de protocolos de skincare para a rotina capilar. Marcas internacionais tiveram papel ativo na disseminação dessas práticas num país com consumidores familiarizados com cabelos quimicamente tratados, afros, cacheados e lisos em proporções que não existem em nenhum outro mercado.

Maquiagem e cuidados com a pele avançam em ritmo mais lento. O CEO atribui parte disso a um traço cultural: a preferência brasileira por aparência natural reduz a adesão a bases e corretivos. Skin care, por sua vez, ainda não atingiu o grau de penetração observado na Ásia.
São lacunas que a L'Oréal pretende preencher — com produtos desenvolvidos, ao menos em parte, a 40 minutos do Centro do Rio.
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