Meio Ambiente Política Saúde Segurança
Escrito por Neo Mondo | 12 de agosto de 2019
Entre os principais retrocessos do texto de Kim estão: a exclusão de impactos indiretos das obras no licenciamento, a aplicação do “autolicenciamento” como regra geral, inclusive para obras de impacto significativo, como duplicação e asfaltamento de rodovias na Amazônia, a permissão para que cada Estado e município isentem atividades de licenciamento como bem entenderem e dispensas de licenciamento para atividades de impacto, como aquelas relacionadas à melhoria e modernização de infraestrutura de transportes.
A exclusão dos impactos indiretos faria com que hidrelétricas e rodovias, por exemplo, não precisassem mais considerar em seus estudos de impacto o desmatamento induzido por elas, ou a violência, ou a pressão sobre os sistemas de saúde e saneamento dos municípios – isentando o empreendedor de tomar providências para evitar ou compensar esses problemas. Instituir o autolicenciamento (na forma da “licença por adesão e compromisso”) para qualquer obra que não cause significativo impacto aumenta o risco de desastres como os de Mariana e Brumadinho, principalmente se considerado que cada Estado e cada município poderão definir eles próprios o que constitui “significativo impacto”. Isso também multiplica as oportunidades de corrupção, já que governadores e prefeitos serão assediados por lobbies diversos em busca de critérios mais frouxos, podendo gerar uma corrida pela flexibilização ambiental para atrair investimentos.
Por fim, o festival de isenções do texto permitirá pavimentar rodovias no país inteiro, inclusive na Amazônia, por licenciamento autodeclaratório. Num momento em que as políticas ambientais do governo causam a explosão das taxas de desmatamento, jogando a credibilidade do país na lama e comprometendo a própria recuperação da economia, o PL de Kim Kataguiri joga gasolina no fogo.
“Caso este texto não seja imediatamente sustado e modificado, a Câmara dos Deputados e seu presidente, Rodrigo Maia, estarão se associando ao governo Jair Bolsonaro na devastação do Brasil”, disse Maurício Guetta, advogado do Instituto Socioambiental.
Representantes da comunidade científica também se manifestaram contrariamente ao PL de Kim nesta segunda-feira. A Coalizão Ciência e Sociedade, composta por 60 cientistas, publicou uma nota expressando preocupação com o texto. Segundo a nota, o PL “mantém pontos que, se aprovados, comprometerão frontalmente a conservação de um ambiente saudável para a população brasileira presente e futura.”
A onça-pintada que voltou às nuvens
Heineken e SOS Mata Atlântica reforçam parceria pela recuperação do Rio Pinheiros
INSIDER transforma borra de café em material alternativo ao couro