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Brasil sediará a ‘Copa do Mundo dos Oceanos’ em 2027

Escrito por Neo Mondo | 1 de julho de 2025

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A escolha do Brasil, anunciada pela (COI/Unesco), reconhece o protagonismo nacional na mobilização científica e política em torno da conservação marinha - Imagem gerada por IA - Foto: Divulgação

POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO

Rio de Janeiro receberá a 3ª Conferência da Década da Ciência Oceânica, reunindo milhares de especialistas para construir soluções em defesa do oceano e do futuro do planeta

Em 2027, o Brasil ganhará visibilidade global ao acolher um dos eventos mais emblemáticos da agenda ambiental contemporânea: a 3ª Conferência da Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, iniciativa da ONU que transforma ciência em ação pelo oceano.

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A cidade-símbolo do Atlântico Sul, Rio de Janeiro, será o cenário onde mais de 2 mil cientistas, tomadores de decisão, lideranças comunitárias, jovens ativistas, empresas e organismos internacionais se encontrarão para fortalecer a governança azul e traçar novos rumos para a sustentabilidade marinha.

Um oceano de oportunidades para o Brasil

A escolha do Brasil, anunciada pela Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO (COI/Unesco), reconhece o protagonismo nacional na mobilização científica e política em torno da conservação marinha. Para Segen Estefen, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO), o impacto será profundo e abrangente:

“Sediar essa conferência é como sediar uma Copa do Mundo — mas da ciência e da sustentabilidade. Coloca o oceano no centro da atenção pública e desperta uma nova consciência coletiva.”

Mais do que um evento técnico, a conferência representa uma inflexão cultural. Será o ponto de encontro entre ciência e sociedade, educação e inovação, juventude e futuro.

Década do Oceano: ciência para transformar

Proclamada pela ONU em 2017, a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável (2021–2030) tem como missão promover soluções baseadas em evidências para reverter o declínio da saúde dos oceanos. A cada três anos, um país-sede é escolhido para organizar a principal conferência global do movimento.

A primeira edição, em 2021, foi organizada pela Alemanha em formato virtual. Em 2024, a Espanha sediou a segunda edição. Agora, é a vez do Brasil marcar sua contribuição histórica — com o Rio de Janeiro como epicentro do diálogo planetário sobre os mares.

Liderança brasileira e engajamento real

O Brasil tem se destacado por liderar mais de 30 Ações da Década, que vão da restauração de manguezais à reutilização de redes de pesca abandonadas, da integração da equidade de gênero na ciência marinha à formulação de políticas públicas baseadas em evidências para enfrentar a poluição por microplásticos.

A criação do Comitê Nacional da Década do Oceano e a implementação do Currículo Azul nas escolas demonstram que o engajamento vai além do discurso — ele se materializa em ações estruturantes e inovadoras.

Para Vidar Helgesen, secretário-executivo da COI/Unesco, o Brasil é exemplo global:

“O oceano faz parte da alma do Brasil. O país tem mostrado ao mundo como é possível alinhar ciência, política e justiça social em favor de um oceano mais sustentável.”

INPO: inteligência científica a serviço do mar

O Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, coordena a proposta brasileira. Com uma rede de cerca de 100 pesquisadores de universidades e centros de excelência de todo o país, o INPO atua em frentes como mudanças climáticas, biodiversidade marinha, tecnologias para monitoramento e gestão costeira, além de subsidiar políticas públicas com base em ciência de ponta.

A conferência de 2027 será também uma vitrine para essa produção científica, permitindo ao Brasil demonstrar sua capacidade técnica, compromisso com a governança ambiental e vocação para liderar agendas globais.

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Foto: Ilustrativa/Freepik

Um encontro com o futuro azul

Muito além da diplomacia, o evento será uma oportunidade educativa para formar uma nova geração de cidadãos conscientes sobre o papel vital do oceano. Em meio à emergência climática e à crise da biodiversidade, o oceano emerge como o eixo integrador das soluções para água, comida, energia e equilíbrio do clima.

Sediar a conferência no Rio é, simbolicamente, devolver o mar à centralidade que sempre teve — como fonte de vida, meio de subsistência e espaço de conexão entre os povos.

Em um momento em que o mundo busca esperança e direção, o Brasil lança âncora no futuro. Que as ondas que quebrarão em Copacabana em 2027 tragam não só a beleza do mar, mas também o compromisso renovado com um planeta mais justo, resiliente e azul.

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