Escrito por Neo Mondo | 28 de fevereiro de 2018
POR - AMBIENTE ENERGIA / NEO MONDO
O Brasil desponta como um dos países com maior matriz de energia renovável do planeta. Enquanto no mundo apenas 33% da matriz é renovável, aqui o índice passa de 80%

Mesmo com o número já elevado, o potencial de crescimento no país salta aos olhos. Segundo um estudo da International Energy Agency, o Brasil foi o quinto país com maior incremento de gigawatts (GW) gerados pelo vento em 2016. No ano passado, foram instalados mais 2,02 GW (dados da Associação Brasileira de Energia Eólica – ABEEólica).
Em 2017, o Brasil alcançou a geração de 12,8 gigawatts (GW), o que coloca o país em oitavo lugar no ranking mundial de usinas eólicas, ultrapassando o Canadá. Atualmente, os ventos respondem por 8,2% de toda a energia gerada. A capacidade instalada passa dos 12,7 GW. Isso abastece, por exemplo, seis de cada dez casas da região Nordeste. O Ministério de Minas e Energia prevê uma expansão de 125% até 2026, quando praticamente um terço da energia brasileira virá dos ventos (28,6%). Além de garantir luz acesa, os ventos também representam renda às famílias de muitos estados. Em 2016, o número de empregos diretos no setor passava de 150 mil. A ABEEólica estima que para cada novo megawatt instalado, 15 empregos diretos e indiretos sejam criados. A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) estima que até 2026 a cadeia eólica possa gerar aproximadamente 200 mil novos empregos diretos e indiretos. É como se metade da população de Florianópolis, capital de Santa Catarina, estivesse trabalhando no setor. Um estudo inédito da ABDI mapeou 52 profissões/ocupações distribuídas nos cinco grupos de atividades que compõem a cadeia: construção e montagem (10 diferentes profissões); desenvolvimento de projetos (11 profissões); ensino e pesquisa (6 profissões); manufatura (15 profissões); operação e manutenção do parque eólico (9 profissões).
O presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Guto Ferreira, explica que o potencial de criação de empregos é grande porque a cadeia eólica é longa, além do potencial de crescimento do mercado. “São cinco etapas envolvidas na cadeia, desde o desenvolvimento do projeto, a fabricação, a montagem e operação de um parque eólico.
Para cada fase é preciso uma ampla gama de profissionais. Na fase de projeto, por exemplo, são necessários pelo menos 11 tipos de profissionais. Entre manufatura, construção e operação são mais 34 especializações diferentes”, destaca.
Segundo o estudo da ABDI, existem carreiras para todos os graus de formação. “A cadeia eólica precisa de profissionais que tenham apenas o ensino médio e fundamental, como é o caso de montadores e motoristas, mas contempla também os altos graus de formação, como engenheiros aeroespaciais, onde a pós-graduação e especialização são pré-requisitos para a contratação”, explica Ferreira.
O documento da ABDI mostra ainda as possibilidades de crescimento do profissional dentro do setor. Uma profissão que chama a atenção no estudo é o técnico em meteorologia, exigido em três das cinco fases da cadeia – montagem, desenvolvimento do projeto e operação.
A formação dura em média três semestres (1200 horas) e o salário estimado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) é de R$ 2 mil.
O técnico vai atuar no levantamento de dados sobre a velocidade e direção dos ventos, realizando a instalação e a manutenção das torres de medição (chamadas de anemométricas).
Pelo estudo, esse tipo de profissional pode progredir no setor e se tornar Técnico em Operações e Manutenção de Parques, aumentando, assim, seu rendimento. Já para os salários mais altos são necessários diferentes profissionais do ramo da engenharia.
Os ganhos médios mensais dos engenheiros aeroespaciais passam de R$ 8 mil. Para o engenheiro de vendas, o mercado oferece vencimentos próximos a R$ 15 mil.
Somente para a fase de manutenção, permanente depois que o parque eólico está instalado, são contratados profissionais com formação em sete engenharias diferentes (engenheiro de produção, industrial, de qualidade, de vendas, eletricista e projetista).
Os salários giram entre R$ 5 e R$ 15 mil. Na mesma faixa também existem vagas para advogados, administradores e biólogos.
Desenvolvimento de Projetos
- Consultor Ambiental; Engenheiro Ambiental (mas podem ser considerardos também: Biologo, Arqueólogo e Geólogo)
- Engenheiro Civil
- Engenheiro de Projetos
- Engenheiro de Qualidade; (podendo considerar ainda Engenheiro de Segurança)
- Engenheiro de Sistemas Elétricos; Engenheiro de Transmissão Elétrica
- Especialista em prospecção de áreas
- Especialista em recurso (eólico)
- Especialista em regulação
- Gerente de Negócios; Gerente Comercial; Negociador
- Gerente Financeiro
- Técnico em meteorologia
Ensino e Pesquisa
- Gerente de Desenvolvimento e Treinamento; Gerente de Recursos Humanos
- Instrutor Técnico; Instrutor de Ensino Profissionalizante
- Pesquisador
- Pesquisador em economia
- Pesquisador Engenheiro
- Professor Universitário
Manufatura
- Advogado
- Engenheiro Aeroespacial
- Engenheiro de Produção; Engenheiro Industrial
- Engenheiro de Qualidade; (podendo considerar ainda Engenheiro de Segurança)
- Engenheiro de Vendas; Gerente comercial
- Engenheiro eletricista (e afins)
- Especialista em Logística
- Engenheiro Projetista (Engenheiro Mecânico)
- Gerente de Engenharia; Gerente de P&D
- Gerente de Suprimentos; Gerente de Supply Chain; Gerente de Compras
- Montador e Operador de Linha de Produção
- Motorista de caminhão
- Pesquisador Engenheiro
- Trabalhadores em geral – montagem do aerogerador no parque
- Vendedor
Operação e Manutenção
- Advogado
- Engenheiro de Qualidade; (podendo considerar ainda Engenheiro de Segurança)
- Engenheiro eletricista (e afins)
- Engenheiro Mecânico
- Gerente de Ativos; Administrador (de Ativos)
- Gerente de Planta; Gerente de Operação e Manutenção ; Gerente de Parque Eólico
- Técnico em meteorologia
- Técnico em Operação e Manutenção de Parques Eólicos
- Tecnólogo em meio ambiente; Técnico de controle de meio ambiente
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