Escrito por Neo Mondo | 18 de outubro de 2017
POR – Alan Bojanic, representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no Brasil
Em artigo de opinião, o representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no Brasil, Alan Bojanic, elogia as iniciativas do país para promover a agricultura familiar, que responde por 33% do valor total da produção no meio rural. Para agência da ONU, programas nacionais são exemplares e devem ser replicados em outras nações. No mundo, 70% dos alimentos que chegam ao consumidor vêm de pequenos produtores
Agricultores semeando alface crespa. Foto: Flickr/ Orgânicos do Pivas (Creative Commons)
A Iniciativa Regional número 2 também tem forte ligação com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), aprovados em 2015 pelos países que integram as Nações Unidas. Dos 17 objetivos, a Iniciativa está ligada diretamente a seis ODS: fim da pobreza; fome zero; igualdade de gênero; trabalho decente e crescimento econômico; redução das desigualdades; e produção e consumo responsáveis.
Contribuição brasileira
A agricultura familiar brasileira é grande responsável pela produção de alimentos no país. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem 4,4 milhões de famílias agricultoras, o que corresponde a 84% dos estabelecimentos agropecuários do país e responde por aproximadamente 33% do valor total da produção do meio rural.
Dentro da cadeia produtiva do Brasil, o pequeno agricultor abastece o mercado brasileiro com mandioca (87%), feijão (70%), carne suína (59%), leite (58%), carne de aves (50%) e milho (46%), dentre outros.
Além de prover boa parte dos alimentos, o setor tem se tornado chave na construção de políticas públicas; na adoção de incentivos financeiros; na formulação de normas e leis; na criação de modelos de compras como, por exemplo, a compra direta pelo governo de produtos da agricultura familiar, que se tornou possível por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA); entre outros.
Outra base importante para o setor tem sido o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF), criado há mais de 20 anos para financiar projetos individuais ou coletivos que gerem renda aos agricultores familiares e assentados da reforma agrária. Os incentivos gerados pelo PRONAF vêm refletindo no aumento de safras e de produtividade. Apenas para a safra 2015-16, foram disponibilizados quase 29 bilhões de reais para investimentos dos pequenos agricultores.
Atualmente, o país trabalha no desenvolvimento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2017/2020, que tem dez eixos de atuação com os seguintes objetivos principais: promover ações para oferecer segurança jurídica da terra, com titulação e regularização fundiária; seguro da produção; ações para o Semiárido; Assistência Técnica e Extensão Rural.
Para a FAO, o trabalho desenvolvido no Brasil é exemplar e, por isso, o país tem sido uma fonte de exemplo e de boas práticas que merecem ser disseminadas, o que a Organização tem feito por meio de projetos com base no modelo de Cooperação Sul-Sul. Para a FAO, o Brasil está no caminho certo para o cumprimento das novas metas internacionais de erradicação da fome e da pobreza na próxima década, seja no âmbito dos ODS, como no Plano SAN-CELAC. A perspectiva favorável para o país a curto, médio e longo prazo é positiva e totalmente possível.
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