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Escrito por Neo Mondo | 3 de outubro de 2017
POR - NEO MONDO e VIRGÍNIA MENDONÇA KNABBEN

Nascida no Estado da Estíria, Áustria, em 3 de outubro de 1920, Ana Maria Primavesi é conhecida como a “Patrona da Agroecologia Brasileira”, por seu pioneirismo nas práticas de preservação da vida do solo

Em 2012 na Alemanha quando recebeu o prêmio considerado Nobel de agricultura. Ao seu lado, Mayor Jun e Vandana Shiva, uma das maiores ativistas ambientais do mundo[/caption]
O fato é que o ser humano se apossou, se apropriou da natureza de tal forma que tudo parece estar sob “controle”, literalmente. Com a Primavesi aprendemos que não é assim. “Embora o homem se sinta mais macho quando até sabe dançar valsa com seu trator no campo, a terra não gosta disso. Máquinas compactam horrivelmente a terra, especialmente quando esta é úmida. O maior problema na América do Norte e no Brasil é a compactação dos solos pelas máquinas”. E assim, sem rodeios, ela defende não o seu ponto de vista, mas a natureza em si.
Certa vez, convidada a visitar um poço de perfuração de petróleo, observou durante um tempo aquele líquido denso sair aos montes, enchendo de orgulho seus expositores. Ao final, ela perguntou: “Muito bem, e agora que vocês tiraram tudo isso, o que vão dar em troca?” E com seus questionamentos, suas explicações simples, ela foi formando uma geração de agroecologistas.
Escrever sua biografia não foi tarefa fácil. Mulher de poucas palavras, pouco se aprofundava nas narrativas. Mas aos poucos as histórias foram surgindo e a Primavesi mãe, esposa, amiga, professora, vizinha, apareceram. Num golpe de muita sorte, descobrimos um diário no qual ela tinha registrado muitos acontecimentos vividos por ela em meio à Segunda Guerra Mundial, quando ainda estava na Universidade de Viena cursando agronomia. Assim ficamos sabendo, por exemplo, que ela e o pai ficaram num campo de concentração, ao final da guerra. Que seu pai foi convidado a liderar um “exército” de aleijados, velhos, doentes, porque era preciso recrutar mais pessoas, mas elas já não existiam, tinham morrido no front. Ele recusou, mesmo correndo o risco de ser fuzilado por desobediência. Soubemos que essa menininha precoce, o xodó do pai, ficou sozinha com a irmã no castelo onde moravam, em pleno período da Segunda Guerra, e que enfrentou russos e ingleses, não demonstrando todo o medo que sentia. “O medo aumenta a coragem do outro”, nos contou.
Também registramos a dor pela perda de Artur, seu grande amor, e de seu filho Arturzinho, num acidente de carro no dia de Natal. Vivendo em Itaí, interior do estado de São Paulo, Primavesi buscou naquela terra o consolo das perdas vividas, recompondo-se junto àquela terra erodida e maltratada, que era a metáfora de si mesma. Cupins por toda parte, conseguiu trazer a água de volta à propriedade, não por obras engenhosas, e sim pela vivificação do solo. Sua propriedade tornou-se local de refúgio para muitos bichos, fugindo das queimadas da cana e da pulverização de venenos realizados ao redor. Ficamos espantados com os relatos de encantadores de cobras e baratas, benzedores, que mostraram a essa cientista renomada que “há muito mais entre o céu e a terra...”
Histórias de Vida e Agroecologia.
Histórias de Primavesi. Árvore mestra, matriz de todos nós.
VÍDEOS DE ANA MARIA PRIMAVESI
“A agricultura convencional é a arte de explorar solos mortos. (…) as pessoas que comem agora estas colheitas, comem plantas doentes e também se tornam doentes. Uma planta deficiente somente pode gerar um homem deficiente e deficiência sempre significa doença. Por isso precisa-se a cada ano mais leitos hospitalares. Doenças antes nunca vistas aparecem, especialmente de vírus, como também nas plantas as pragas e doenças aumentam ano por ano. Em 1970 existiam no Brasil 193 pragas. Atualmente ultrapassa 650. De onde vieram? Bactérias, fungos, vírus e insetos que antes eram pacíficos e até benéficos agora se tornam parasitas. Por que? Porque as plantas são doentes nos solos doentes. E o solo é doente quando perde sua vida, sua porosidade, seu equilíbrio em nutrientes”.(Ana Maria Primavesi)
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