Escrito por Neo Mondo | 12 de dezembro de 2017
POR – DEUTSCHE WELLE / NEO MONDO
Poucas pessoas usam bitcoin para comprar qualquer coisa, mas todos pagam por seu impacto ambiental. Será verdade que a mineração criptográfica consome mais eletricidade que a Irlanda?
Mina de bitcoin numa antiga fábrica de carros da era soviética em Moscou
As minas bitcoin consistem em centenas ou milhares de computadores empilhados em prateleiras
Sem acompanhar o ritmo
Vranken disse que suas estimativas de janeiro, de menos de metade de um gigawatt, "não são definitivamente tanto quanto um país consome – mas, desde então, as coisas mudaram".
Parte da confusão vem do salto meteórico do preço do bitcoin, que tornou muitas estimativas de energia ultrapassadas.
À medida que o preço do bitcoin aumenta, também cresce o incentivo econômico para ganhar dinheiro nessa onda. O delírio resultante – já descrito ao mesmo tempo como uma corrida do ouro e como uma bolha prestes a explodir – leva a mais cálculos de computador, ou hashes por segundo.
"A taxa de hashes em 2014 foi de cerca de 300 mil, e no início de 2017 eram mais de 2 milhões", disse David Malone, da Universidade de Maynooth.
Nesse período, máquinas de ponta se tornaram cerca de cinco vezes mais eficientes na computação de hashes, disse Malone, superando assim uma fração significativa do aumento nos custos de energia.
Agora a taxa de hash saltou para quase 12 milhões – mas "não parece ter havido grande avanço em eficiência em termos de hardware este ano".
Limpo ou sujo?
Também é motivo de preocupação o fato de a demanda de eletricidade do bitcoin ser suprida por combustíveis fósseis.
Segundo um estudo do Cambridge Center for Alternative Finance (patrocinado pela Visa), mais da metade dos "tanques de garimpo" do bitcoin têm base na China, que depende do carvão.
Uma análise do Digiconomist de uma mina de bitcoin no interior da Mongólia – cuja eletricidade era proveniente de usinas movidas a carvão – estimou que uma transação de bitcoin poderia emitir a mesma quantidade de carbono que um passageiro voando em um Boeing 747 durante uma hora.
Alguns analistas, no entanto, observam que o incentivo econômico para energia de baixo custo leva muitos a optarem por fontes renováveis. "Uma concentração significativa [dos tanques de garimpo chineses] pode ser observada na província de Sichuan, onde mineradores fecharam acordos com as usinas hidrelétricas locais para terem acesso à eletricidade barata", escreveu Garrick Hileman, da Universidade de Cambridge.
Escala de impacto problemática
Independentemente da dificuldade em rastrear números exatos, muitos acreditam que a dimensão do problema é perturbadora. Embora o bitcoin tenha apenas oito anos de idade, ele já representa entre 0,05 e 0,15% da demanda global de eletricidade.
Para um serviço usado por apenas 3 milhões de pessoas, o bitcoin é muito menos eficiente que o atual sistema bancário global.
"De qualquer maneira, é um número ridículo", disse de Vries. "O Bitcoin não é sustentável, não importa de que maneira o medimos. Estaríamos apenas discutindo se ele é 10 ou 20 mil vezes pior que o Visa".
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