Escrito por Neo Mondo | 24 de outubro de 2017
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Para monitorar o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), nações terão de definir indicadores adequados, capazes de fornecer dados precisos sobre erradicação da pobreza, igualdade de gênero, mudanças climáticas e outros desafios visados pela ONU. Para especialistas do IPEA e do IBGE, Brasil precisa garantir periodicidade na divulgação de estatísticas e aproveitar registros administrativos de programas de proteção social
Estatísticas serão fundamentais para monitorar cumprimento da Agenda 2030. Foto: PEXELS
Na avaliação da diretora-adjunta de Políticas Sociais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Enid Rocha, o maior desafio para que o Brasil tenha uma base de indicadores para a avaliação e o monitoramento dos ODS é o fortalecimento dos Sistemas de Estatísticas Nacionais, o que requer estrutura e recursos para manter a periodicidade das pesquisas, sem problema de continuidade.
“Para além de fortalecer as estatísticas oficiais, existe um longo caminho a ser trilhado, no sentido de converter registros administrativos, produzidos por vários órgãos no âmbito federal, em informações úteis para a construção de indicadores de monitoramento dos ODS”, explica a especialista.
“Em geral, são estatísticas produzidas no entorno da implementação de programas e políticas como a da previdência social, do Cadastro Único, do seguro-desemprego, do imposto de renda de pessoa física e jurídica, entre outras, que, se trabalhadas, são uma fonte riquíssima para a construção de indicadores e para complementar as estatísticas oficiais que são produzidas de forma mais espaçada”, acrescenta Enid.
O PNUD, por meio de parcerias com o governo federal e instâncias estaduais, promove oficinas para facilitar a identificação de dados e indicadores para o acompanhamento da Agenda 2030.
“A produção e o uso de dados é cada vez mais central para o planejamento de políticas públicas e de outras iniciativas de aterrissagem da Agenda 2030. Sem dados confiáveis, não se pode elaborar um bom diagnóstico, estabelecer uma linha de base, definir prioridades e metas e acompanhar a sua evolução. Dados são centrais e, além de confiáveis, precisam ser atuais, desagregados, inovadores e acessíveis”, afirma a coordenadora do Relatório de Desenvolvimento Humano Nacional da agência da ONU, Andréa Bolzon.
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