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Escrito por Neo Mondo | 3 de setembro de 2017
Resultados do Brasil
Com uma renda per capita média de US$ 14,455 mil ao ano (56ª colocação no ranking das 128 nações que participaram do estudo em 2017), o Brasil ocupa a 43ª posição do Índice de Progresso Social, com 73,97 pontos. Apesar de a colocação brasileira não ser a ideal, o País subiu três posições em relação a 2016, quando ocupava o 46º lugar do ranking, com 71,70 pontos, entre 133 países participantes naquela ocasião.
O Brasil surge na lista atrás de seus vizinhos no grupo de países considerados no ranking, como o Chile, que está na 25ª posição, com 82,54 pontos, e lidera entre os países da América do Sul. A seguir, vêm o Uruguai (31º; 80,09) e a Argentina (38°; 75,90). Ainda à frente dos brasileiros estão, pela América Central, a Costa Rica (28º; 81,03) e o Panamá (40º). Já em relação aos Brics (grupo formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o País surge à frente de seus parceiros. A África do Sul aparece no 66° lugar, com 67,25 pontos, seguida por Rússia (67°; 67,17), China (83º; 63,72) e Índia (93; 58,39).
“É interessante observar que o Brasil registrou sua melhor performance no item Tolerância e Inclusão do IPS, figurando na 22ª posição do ranking, mesmo tendo obtido apenas 68,34 pontos no quesito. Isso mostra que a grande maioria dos países demonstra possuir culturas e práticas pouco adequadas nessa área, de acordo com os parâmetros da pesquisa. Por outro lado, o país figura na 121ª colocação da lista em relação à Segurança Pessoal, com apenas 48,38 pontos, o que, como infelizmente sabemos, é autoexplicativo diante de nossos notórios problemas de segurança. Já a melhor nota conquistada pelos brasileiros refere-se ao item Nutrição e Cuidados Médicos Básicos, com 97,07 pontos, mas apenas o 59º lugar na relação. Certamente, nosso país ainda tem um bom caminho a percorrer para equilibrar e melhorar seus indicadores”, afirma Elias de Souza, diretor de Infraestrutura e Setor Público da Deloitte Brasil.
América Latina
A América Latina obteve uma pontuação de 72.6, somente 1,1% acima do alcançado em 2014, ano de início da medição. Dentro do componente de Necessidades Humanas Básicas, os principais desafios da região se concentram em melhorar as condições de segurança pessoal (53,8) e acesso a moradia (75,4). No componente de Fundamentos do Bem-Estar, a principal questão é melhorar a qualidade ambiental (72,8), já que ainda que a maioria dos países esteja experimentando melhoras, estas são insignificantes em relação à magnitude das mudanças climáticas.
A dimensão de oportunidades é onde os países latino-americanos têm um desempenho pior, sendo preocupante também por aqui a deterioração dos componentes de tolerância e inclusão, liberdades pessoais e de eleição e direitos pessoais.
As áreas onde a região mostra melhoras permanentes em seus indicadores são as de nutrição e cuidados médicos e acesso a água e saneamento. Não obstante, existe uma enorme brecha entre as áreas urbana e rural que não pode ser perdida de vista, especialmente em tempos de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Para Gabriel Baracatt, diretor executivo da Fundación Avina, organização parceira na construção e difusão do IPS em nível global, o IPS instala uma linguagem comum que ajuda a governos, empresas, organizações sociais e acadêmicas e aos cidadãos a acessar informações valiosas que impulsionam ações de colaboração no sentido do alcance dos ODS. “O nosso desafio é conseguir que o IPS seja uma ferramenta para a ação, pois o progresso social é uma tarefa de todos os atores comprometidos com a transformação”, conclui Baracatt.
Destaques de análise com base no IPS:
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável em jogo
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU estão em jogo, de acordo com as análises do estudo. É preciso acelerar o progresso social se nosso planeta quiser ver as mudanças necessárias realizadas para que esses objetivos sejam alcançados até 2030, prazo estabelecido pela ONU para o cumprimento das metas. Para isso, o mundo como um todo precisa atingir um total de 75 pontos, uma melhoria de 10 pontos, segundo o Índice de Progresso Social. Felizmente, as questões destacadas no IPS são solucionáveis e os negócios fazem parte da solução.
"Enfrentar os complexos desafios sociais, global e localmente, é uma tarefa crítica para os negócios. É por isso que a Deloitte trabalhou junto com a Social Progress Imperative para capacitar as comunidades com novas maneiras de pensar e medir o que mais importa para a sociedade avançar e prosperar", indica David Cruickshank, chairman global da Deloitte e membro do Conselho da Social Progress Imperative. “Eu acredito que este índice tem a capacidade de ajudar os líderes, assim como organizações governamentais e a sociedade civil, a identificarem sistematicamente uma estratégia voltada ao crescimento responsável e inclusivo, priorizando as necessidades mais prementes de suas comunidades”.
Outros resultados globais:
"O desenvolvimento econômico por si só não é suficiente para promover o avanço das sociedades e melhorar a qualidade de vida dos cidadãos. O verdadeiro sucesso e o crescimento que é inclusivo requerem o progresso econômico aliado ao social", afirma o professor Michael E. Porter, da Harvard Business School, coautor do relatório do IPS 2017, e que liderou a equipe científica da Social Progress Imperative no levantamento. “Os Estados Unidos são o país mais rico do G7 em termos de PIB per capita, por exemplo, mas estão atrasados em relação a outros países líderes em áreas como educação, saúde, segurança pessoal e inclusão. O fracasso dos EUA no avanço do progresso social está limitando nosso crescimento econômico em direção da prosperidade que é amplamente compartilhada. Os países devem repensar a forma como medem o sucesso. O benchmarking do progresso social e a adoção das etapas necessárias para o avanço serão a chave para o sucesso nacional e local neste século", conclui o professor.
Sobre o Índice de Progresso Social
O Índice de Progresso Social é a primeira medida abrangente de desempenho social dos países que passou a não depender de indicadores econômicos. O índice é baseado em uma série de parâmetros sociais e ambientais que capturam três dimensões do progresso social: necessidades humanas básicas; fundamentos do bem-estar; e oportunidades. O IPS 2017 trabalhou com dados de 128 países, relativos a 50 indicadores. No recorte, estão incluídos 98% da população mundial. O índice é projetado como um complemento aos dados de PIB e outros indicadores econômicos, com o objetivo de propiciar uma compreensão mais abrangente do desempenho geral dos países.
A realização do Índice de Progresso Social 2017 contou com o apoio da Deloitte, da Fundação Ford e da Fundação Skoll, assim como de doadores individuais. Outros colaboradores, incluindo os principais autores, professores Michael E. Porter, da Harvard Business School, e Scott Stern, do MIT, estão relacionados no relatório.
Saiba mais sobre o Índice de Progresso Social 2017 no link: www.socialprogressimperative.org.
O que é o Índice de Progresso Social (IPS)?
O IPS é um índice que agrega indicadores sociais e ambientais que capturam três dimensões do progresso social: as Necessidades Humanas Básicas, os Fundamentos de Bem-Estar e as Oportunidades. Ele mede o progresso social utilizando estritamente indicadores de resultados, e não o esforço que um país realiza para alcançá-los. Por exemplo, o montante que um país gasta em cuidados de saúde é muito menos importante do que o bem-estar e a saúde realmente alcançados, ou seja, o que é medido por seus resultados.
O que é progresso social?
Progresso social é definido como a capacidade de uma sociedade de atender às necessidades humanas básicas de seus cidadãos, estabelecer os componentes básicos que permitam aos cidadãos melhorar a sua qualidade de vida e criar as condições para as pessoas e as comunidades atingirem seu pleno potencial.
Definição de PIB per capita
O Índice de Progresso Social utiliza para esse conceito a definição do Banco Mundial: “O PIB per capita toma como base a paridade do poder de compra (PPC). A PPC do PIB equivale ao produto interno bruto convertido em dólares internacionais, usando-se as taxas de paridade de poder de compra. Um dólar internacional tem o mesmo valor de compra em relação ao PIB que o dólar dos Estados Unidos. O PIB ao preço do comprador é a soma do valor bruto agregado de todos os produtores internos mais os impostos sobre produtos e menos os subsídios não incluídos no valor dos produtos. O PIB é calculado sem deduções de depreciações de ativos produzidos ou taxa de depreciação e degradação de recursos naturais. Os dados são baseados em dólares internacionais de 2011”.
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