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Escrito por Neo Mondo | 3 de outubro de 2019

A projeção resultante dessas premissas era uma emissão de 3,236 bilhões de toneladas de CO2 equivalente em 2020. O esforço nacional, sacramentado em 2010 num decreto que regulamentou a política, seria de chegar a 2020 emitindo qualquer coisa entre 2,068 bilhões de toneladas (36,1% de redução) e 1,977 bilhão de toneladas (38,9% de redução). O decreto também criava metas setoriais – entre elas a de reduzir em 80% a taxa de desmatamento na Amazônia em relação à média de 1996 a 2025, o que significava chegar a 2020 com 3.925 km2 de perda de floresta.
Em 2017, segundo o SEEG, o Brasil emitia 2,071 bilhões de toneladas brutas de CO2 equivalente. Projetando para 2020 o comportamento das emissões naquele ano, chegaríamos ao final do ano que vem emitindo 47 milhões de toneladas a mais do que o limite inferior (36,1%) do intervalo e 138 milhões de toneladas a mais do que o limite superior.
A meta de desmatamento da Amazônia só deverá ser cumprida em circunstâncias muito extraordinárias – e inéditas: com 7.536 km2 desmatados em 2018, o país estava 92% acima da meta. Nunca desde o início das medições houve uma redução da taxa à metade de um ano para o outro. E, neste ano, a crer no indicado pelo sistema Deter, do Inpe, que produz alertas de desmatamento, a taxa oficial será muito maior do que a do ano passado: a área de alertas cresceu 50% em 2019.
Em pelo menos uma reunião que teve nos EUA na semana do dia 20, antes de embarcar para a Europa, Salles disse que o Brasil estava no caminho de cumprir suas metas no Acordo de Paris – citou, por exemplo, a produção de etanol e a matriz energética com alta proporção de renováveis. O governo também tem afirmado que o país já cumpriu grade parte da restauração florestal proposta no documento anexo da NDC (a meta brasileira) e dois terços da restauração de pastagens proposta no mesmo documento.
Como a nota do OC explica, o país nem sequer apresentou um plano para implementar a NDC a partir de 2020. Ao contrário, as instituições do governo federal que deveriam elaborar e implementar esse plano foram extintas por Jair Bolsonaro e ninguém está cuidando disso hoje. Também parado está o Plano Nacional de Adaptação à mudança do clima, que é parte integral da meta brasileira em Paris. Ao deixar de cumprir as metas da lei de clima para 2020, o Brasil deve entrar endividado no período de cumprimento do Acordo de Paris, o que tornará a NDC mais cara e difícil de cumprir.
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