Escrito por Neo Mondo | 26 de outubro de 2017
POR - AGÊNCIA BRASIL
Valdeci Carvalho é um dos brigadistas que trabalha no combate ao fogo na Chapada dos Veadeiros
Brigadistas
A maior parte é de brigadistas do ICMBio, com 74 em campo e do Ibama, 63. Atuam também no combate diversos voluntários. Os brigadistas têm regime de contratação temporária, por seis meses. Eles precisam fazer um curso de capacitação antes de começarem a trabalhar. “Agora estamos com muita gente aqui, mas é muito esforço, muito fogo. Nunca tinha trabalhado assim. Eu começo o dia, fico direto, depois à noite eu descanso e volto no dia seguinte”, diz o brigadista do ICMBio Adaílson Santos Costa, que é de Campos Belos (GO).
Valdeci Carvalho e Adaílson Costa entraram na brigada em busca de trabalho. “Primeiro foi a busca por trabalho, para manter o sustento, mas depois, ao longo de tempos trabalhando, a gente vê que não é só o dinheiro. Claro, é importante, mas a natureza precisa da gente. A gente começa a se apaixonar pela coisa. Eu trabalho para proteger a natureza e a biodiversidade, é isso que me motiva”, diz Carvalho que é natural de de Juazeiro (BA) e logo precisa deixar o local e seguir para um novo foco de incêndio.
Voluntariado
Mesmo sem a expertise dos brigadistas, voluntários contribuem da maneira que podem no combate às chamas. Vinícius Leoni, comerciante de 26 anos, é um dos voluntários. “A gente sabe que tem brigada especializada em alguns lugares, dentro do parque, mas em outros não tem. A gente está indo com a nossa camisa, nossa calça. Minha calça está toda preta, meu tênis está queimado”, diz.
Sem equipamentos, Leoni, que é morador da Vila de São Jorge, diz que possível atuar em outras frentes, como fazendo aceros para que o fogo não chegue próximo às residências dos fazendeiros. Trata-se do corte da vegetação, retirando a mata rasteira que é mais inflamável, para evitar que o fogo se espalhe.
“A galera está caindo para dentro do mato e você vê que cada um age de um jeito, quando chega perto da terra dos nativos, você vê que cada um tem uma técnica. O que estamos podendo fazer, estamos fazendo”. Segundo ele, os voluntários de São Jorge estão em contato direto com as brigadas e muitas vezes ajudam os profissionais.
A orientação do ICMBio é que somente cheguem próximo aos focos aqueles que estão capacitados para isso e sob a orientação da central de comandos, para evitar acidentes. As equipes de brigadistas estão integradas e desenvolvem um trabalho coordenado - uma ação desorientada pode inclusive prejudicar as equipes.

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