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Escrito por Neo Mondo | 28 de outubro de 2017
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Demandado por produtores de diversos estados brasileiros, curso capacitou 22 pessoas na produção de bactérias importantes para o controle biológico de pragas
Produtor em treinamento na produção de bactérias específicas para controlar insetos-praga
Novo paradigma na agricultura brasileira
Para a pesquisadora Rose Monnerat, o curso comprova uma mudança de paradigma na agricultura brasileira. “A demanda pelo uso de práticas mais saudáveis está vindo do setor produtivo para a pesquisa”, ressalta. Segundo ela, as conclusões do curso serão apresentadas ao MAPA para aperfeiçoar as normas que regulamentam a produção de bactérias on farm.
A mudança de comportamento em relação aos agrotóxicos é resultado de uma série de fatores, como explicam os agricultores presentes ao curso, entre os quais destacam-se: a produção de alimentos mais saudáveis e a diminuição da dependência das multinacionais.
Outro participante do curso, Renato Goulart, sofreu na pele os efeitos dos agrotóxicos. Produtor de soja, milho e feijão em Goiás, ele teve uma polineuropatia (doença neurológica dos nervos periféricos) causada pelo uso contínuo desses produtos. Hoje, Renato e sua família estão empenhados na produção de bactérias entomopatogênicas para controlar pragas. “O curso me ajudou muito com a disseminação de técnicas e conceitos que vão permitir aumentar a produção dos microrganismos e o que é melhor: com segurança”, afirmou.
Segundo Rose, o controle biológico vem crescendo muito no Brasil, mas o medo da ilegalidade faz com que muitos produtores não se manifestem, o que indica que esse crescimento deve ser ainda maior do que se imagina.
Esse é o primeiro de uma série de muitos cursos que a pesquisadora e sua equipe pretendem ministrar daqui para frente. “A busca por uma agricultura mais saudável é uma tendência em expansão no Brasil. Nós, como representantes da pesquisa pública, temos que incentivar essa realidade e unir forças com o setor produtivo para apoiar a ampliação de práticas sustentáveis, agregando conhecimento científico aos processos desenvolvidos pelos agricultores em suas propriedades rurais”, finaliza.
“Com o curso, a pesquisadora Rose Monnerat e sua equipe deixam um legado para a agricultura brasileira”, ressalta Gleyciano.

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