Cultura Destaques Diversidade e Inclusão Economia e Negócios Esportes Meio Ambiente Sustentabilidade Tecnologia e Inovação

De lata a skate: quando o descarte vira destino

Escrito por Neo Mondo | 13 de março de 2026

Compartilhe:

Lata reciclada que vira skate e abre caminho para novas histórias, mostrando como circularidade e inclusão podem andar na mesma direção - Foto: Divulgação

POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DO NEO MONDO

O Instituto HEINEKEN transforma alumínio reciclado do Skateboarding World Championships 2025 em skates para meninas — e prova que uma lata jogada fora pode mudar a trajetória de uma vida

Tem algo de poético no alumínio. Ele não envelhece. Não perde a essência. Pode ser fundido, moldado, reinventado — e continua sendo o mesmo material de sempre, mas com um propósito inteiramente novo. Talvez seja por isso que a história que começa com uma lata vazia em um evento esportivo e termina nas mãos de uma jovem skatista nas periferias das cidades brasileiras soe tão verdadeira. Não como metáfora, mas como gesto real.

Leia também: Instituto HEINEKEN impacta mais de 25 mil pessoas em três anos de atuação

Leia também: Heineken: quando a natureza brinda o futuro

Durante o Skateboarding World Championships 2025, enquanto atletas do mundo inteiro disputavam pódios sob os holofotes, algo silencioso e poderoso acontecia nas margens do campeonato. Cada lata consumida nas arquibancadas e nos bastidores do evento não ia para o lixo. Ia para o futuro. O Instituto HEINEKEN coletou esse alumínio, devolveu-o ao ciclo produtivo e o transformou em 20 skates completos e 80 pares de trucks — equipamentos doados ao projeto 2 DAS MINAS, e apenas a ele: um coletivo criado e conduzido inteiramente por mulheres que, há três anos, abre as portas do skate para meninas que raramente se veem representadas nesse universo.

Não é uma ação de marketing disfarçada de bondade. É outra coisa. É a compreensão de que sustentabilidade real não vive em relatórios anuais — ela existe quando um material descartado encontra um novo começo e quando esse começo tem nome, rosto e endereço.

O 2 DAS MINAS já chegou a mais de 500 participantes. Hoje, cerca de 80 alunas passam por suas aulas toda semana. Mulheres ensinam mulheres. Meninas veem outras meninas andar de skate e entender que aquele espaço também é delas. O coletivo não oferece só aulas — oferece trabalho e renda para profissionais do skate, cria referências femininas em uma cultura que por muito tempo não tinha espaço para elas e constrói, semana a semana, uma rede de pertencimento que nenhum equipamento sozinho é capaz de criar.

Bruna Maria da Silva Oliveira tem 28 anos e é parte dessa rede. Para ela, o skate mudou não só a própria vida, mas a forma como sua família enxerga o mundo. O que antes causava estranhamento passou a ser compreendido como um caminho legítimo de crescimento. Um lugar seguro onde se encontram pessoas, propósito e movimento. Histórias assim não aparecem em indicadores de ESG. Mas são exatamente elas que provam que algo funcionou.

O Brasil tem uma das maiores taxas de reciclagem de latas do mundo — mais de 95% do alumínio consumido volta ao ciclo produtivo. O Instituto HEINEKEN foi além desse número e fez uma pergunta simples — e difícil de responder: e se esse material pudesse voltar não só como alumínio novo, mas como acesso, como oportunidade, como transformação? A resposta está nos skates que circulam agora pelas mãos de jovens que talvez nunca tivessem condições de comprá-los.

foto das meninas do projeto 2 DAS MINAS, onde lata vira skate
Skates feitos de latas recicladas celebram o encontro entre esporte, inclusão e economia circular no Skateboarding World Championships - Foto: Divulgação

Num momento em que grandes eventos esportivos são cada vez mais cobrados por seu impacto real — não apenas pelo espetáculo que oferecem, mas pelo rastro que deixam —, iniciativas como essa apontam um caminho possível. O Skateboarding World Championships 2025 não terminou quando o último atleta desceu a rampa pela última vez. Ele segue acontecendo toda vez que uma menina monta em um daqueles skates e descobre, talvez pela primeira vez, que o esporte também foi feito para ela.

Uma lata vazia. Um skate novo. Uma menina que começa. O ciclo, finalmente, completo.

Compartilhe:


Artigos anteriores:

Arte, ciência e imaginação: chamada aberta convida criadores a explorar o futuro do oceano na SP Ocean Week 2026

Biodiversidade entra no centro das decisões econômicas à medida que a crise climática redefine a economia global

A pele que grita


Artigos relacionados