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Devastação da megafauna marinha se intensificou ao longo do tempo

Escrito por Neo Mondo | 11 de dezembro de 2025

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Destruição da megafauna brasileira começou junto com a própria história do país - Foto: Ilustrativa/Freepik

Por -  Fernando Silvestre, Jornal da USP / Neo Mondo

Segundo Alexander Turra, o crescimento das populações e sua concentração nas regiões litorâneas marcaram o início da ameaça aos animais do ambiente marinho

Um estudo da Ocean & Coastal Management (Elsevier) mostra que a destruição da megafauna brasileira ocorre desde o início da colonização. A pesquisa se conteve em analisar o caso de algumas espécies da megafauna, como as baleias e os peixes-bois. No caso dos peixes-bois, houve um aumento da caça desses animais durante o século 20 que levou a um colapso das populações. Segundo o professor Alexander Turra, do Instituto de Oceanografia (IO) da USP, a devastação da megafauna marinha é ameaçada desde antes da industrialização.

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Os fatores da destruição

O crescimento das populações e a sua concentração nas regiões litorâneas marcaram o início da ameaça aos animais do ambiente marinho. “A transformação da linha de costa com a criação de áreas portuárias, com a supressão de manguezais ou seus equivalentes de áreas temperadas, que são as marismas, e com o aumento da poluição gerada pelas ocupações humanas, em especial o esgoto urbano, são as alterações que afetam a fauna. Um exemplo é o desaparecimento de recursos pesqueiros. Em algumas espécies da fauna, como no século 18, já havia sido extinto o dugongo, que é um tipo de peixe-boi que ocorria em algumas regiões do planeta, especialmente na região do mar de Bering”, afirma.

Já na era industrial, os efeitos do desgaste da fauna se intensificaram. Turra afirma que “com o desenvolvimento industrial houve um aumento também da pressão humana sobre os recursos químicos e a consequente geração de resíduos que passaram a comprometer a qualidade do ambiente marinho. Entre esses resíduos estão: o esgoto, metais pesados, poluentes derivados dos hidrocarbonetos, e também, mais recentemente, o plástico”.

Outro fator importante é que não só a poluição impacta o ambiente aquático. O docente destaca mais causas: “A invasão de espécies exóticas trazidas pelos navios ou pela distribuição de lixo no mar, a exploração exacerbada de recursos marinhos levando à sobrepesca, a acumulação de substâncias tóxicas, as mudanças climáticas e, em destaque, a caça”.

Os impactos da caça

Essa prática humana é um dos principais fatores que agravaram a situação marinha ao longo da história e em nem todos os casos ela é proposital, mesmo que a afete intensamente. “Há um tipo de caça que a gente chama de pesca. Ou seja, a atividade pesqueira é uma atividade importante e que tem, em determinadas circunstâncias, impactos relevantes nas populações alvo, mas também no que a gente chama de bycatch, ou pesca incidental ou acidental. Então, por exemplo, redes de pesca podem aprisionar organismos que vão acabar morrendo, como tartarugas, golfinhos ou até mesmo peixes.”

foto de alexander turra, entrevistado na matéria Devastação da megafauna marinha se intensificou ao longo do tempo
Alexander Turra - Foto: Divulgação

“Existe uma atividade que foi muito mais disseminada no passado, que era a caça às baleias, por exemplo, com o objetivo de produção de óleo para iluminar cidades, especialmente. Era uma indústria muito potente e que acabou sendo substituída por outras fontes de energia e a caça às baleias acabou sendo diminuída, mesmo que ainda haja alguns países praticantes da atividade”, diz. Segundo o professor, a caça aos grandes animais impacta, além do ecossistema, a economia e o turismo náutico, como é o caso das arraias. “A pesca sobre animais de atrativos, como arraias, são prejudiciais porque elas são um grande ativo para a indústria do mergulho, por agregarem muito valor a uma indústria que acaba valorizando o animal vivo. Diferentes setores desse turismo sofrem com essa redução na população pela devastação da megafauna, como os relacionados aos avistamentos de baleias, golfinhos, tubarões, ou mesmo de peixes de grande porte.”

Sobre a reversão e redução dos danos das práticas que afetam negativamente a fauna dos grandes animais marinhos, Turra finaliza: “São necessárias políticas públicas com a colaboração de diferentes setores da sociedade para que elas sejam implementadas. As políticas são fundamentais para reverter o processo, os impactos, como os do aquecimento da atmosfera, da água do mar e todas as consequências derivadas dessa elevação da temperatura global”.

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