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Escrito por Neo Mondo | 16 de outubro de 2017
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Ações para redução do desperdício de alimento movimentam Dia Mundial da Alimentação

União Europeia e Brasil no combate ao desperdício de alimentos
Para fechar o mês, no dia 31, a Embrapa, em parceria com a Delegação da União Europeia e a WWF-Brasil, realizará o Seminário Sem Desperdício , no Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR). O evento faz parte dos Diálogos Setoriais União Europeia – Brasil e reunirá especialistas da Dinamarca, Espanha, França, Holanda e Suécia, além de pesquisadores brasileiros e representantes do varejo e indústria nacionais.
Durante a programação, a FAO Brasil apresentará o panorama sobre perdas e desperdício na América Latina e serão discutidas estratégias nacionais de combate ao desperdício de alimento, como os bancos de alimentos e a iniciativa Save Food Brasil. A partir das experiências europeias, serão apresentadas alternativas implementadas no continente com bons resultados.
As iniciativas na indústria e no varejo serão abordadas como oportunidades de ação, para reduzir as perdas nessas etapas finais da cadeia agroalimentar, tais como o caso do varejo do Rio de Janeiro e da indústria de embalagens do Brasil.
Eneida Zanquetta de Freitas, diretora nacional da iniciativa de apoio aos diálogos Setoriais União Europeia – Brasil, explica a importância da troca de experiências entre os países participantes: “As ações da União Europeia já implementadas para combater o desperdício de alimentos, tanto em nível nacional como em nível regional e local, são consideradas boas práticas e podem ser compartilhadas com o Brasil, visando modificar e aprimorar o comportamento e o consumo responsável ao longo de toda a cadeia de valor com benefício final para a sociedade. É nesse contexto que a Iniciativa de Apoio aos Diálogos Setoriais vem facilitar o intercâmbio de conhecimentos e experiências, a fim de obter os resultados esperados”.
Representando a União Europeia, o conselheiro no Brasil, Rui Ludovino, afirma que as nações europeias estão empenhadas em cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). “Reduzir o desperdício de alimentos tem um enorme potencial para reduzir os recursos que usamos para produzir os alimentos que comemos. Ser mais eficiente economizará dinheiro e diminuirá o impacto ambiental da produção e do consumo de alimentos”, enfatiza.
Para o coordenador do projeto, Gustavo Porpino, também coordenador de Comunicação Mercadológica da Secretaria de Comunicação da Embrapa, a troca de experiências entre Brasil e União Europeia pode influenciar positivamente as políticas públicas relacionadas ao tema e ajudar a estabelecer estratégias ganha-ganha, que sejam benéficas tanto do ponto de vista do varejista quanto para o consumidor. “Podemos, por meio deste diálogo, ajudar a elevar a importância do tema na agenda de prioridades políticas no nosso País. Existem 30 projetos de lei relacionados à redução do desperdício em tramitação no Congresso e os mais bem elaborados precisam avançar para termos a segurança jurídica necessária para fomentar a doação de alimentos e outras ações contra o desperdício”, comenta.
O Seminário terá transmissão online pelo Facebook, nos perfis da Embrapa e da iniciativa Sem Desperdício.
Estratégia para o Brasil
A partir das discussões do Comitê Técnico sobre Perdas e Desperdícios da Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan), do Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário (MDSA), foi construída uma proposta de estratégia para a redução das perdas e desperdício de alimentos no Brasil, baseada em quatro eixos, para promover um sistema alimentar sustentável e saudável: pesquisa, conhecimento e inovação; educação e comunicação; promoção de políticas públicas; marco regulatório.
A proposta é resultado da participação de representantes do governo, de diversos ministérios envolvidos com o tema, em conjunto com setores da sociedade e também do poder legislativo. “Esperamos que a estratégia subsidie o legislativo a pensar novas propostas e a revisar as existentes, de forma a termos um arcabouço legal que permita efetivamente diminuir as barreiras e incentivar as ações que previnam e reduzam o desperdício de alimentos no Brasil”, explica Kathleen Machado, coordenadora da Secretaria Alimentar e Nutricional do MDSA.
Kathleen informa que a proposta deve ser avaliada em novembro. Caso aprovada, será possível avançar na definição de uma metodologia brasileira para quantificar o total do desperdício de alimentos no País, pois atualmente são utilizados dados estimativos produzidos pela FAO. A coordenadora ressalta ainda que o grande desafio nesse tema é transformar a atual cultura do desperdício, que envolve comportamentos desde o agricultor até o consumidor, para uma cultura de produção e consumo sustentável e consciente.
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