Destaques Economia e Negócios Emergência Climática ENERGIA Meio Ambiente Segurança Sustentabilidade Tecnologia e Inovação
Escrito por Neo Mondo | 12 de fevereiro de 2026
Energia que conecta cidades, move indústrias e sustenta o crescimento — o desafio agora é torná-la cada vez mais limpa, resiliente e inteligente para o futuro que estamos construindo - Foto: Ilustrativa/Freepik
POR - OSCAR LOPES, PUBLISCHER DE NEO MONDO
A transição energética deixou de ser discurso ambiental e virou estratégia econômica, industrial e geopolítica. O planeta quer menos carbono — mas precisa de muito mais energia. E rápido
Existe um paradoxo que define esta década: o mundo precisa reduzir as emissões globais em 50% até 2030 — mas, ao mesmo tempo, precisa gerar 61% mais eletricidade até 2040.
É como tentar frear e acelerar ao mesmo tempo.
Segundo o estudo Back to 2050, da Schneider Electric Sustainability Research Institute (SRI), a trajetória de descarbonização exige cortes drásticos já nesta década. Mas o World Energy Outlook 2024, da International Energy Agency (IEA), mostra que a geração de eletricidade nas redes globais terá de crescer 61% entre 2023 e 2040.
Leia também: Schneider Electric e Codelco assinam acordo para impulsionar a digitalização e a eficiência energética na mineração
Leia também: 2026: o ano em que a IA deixará de ser promessa
A pergunta inevitável é: como expandir tanto sem emitir mais?
Esse é o verdadeiro teste de maturidade da civilização industrial.
Durante décadas, energia era vista como infraestrutura invisível — bastava apertar o interruptor.
Agora, ela se tornou o sistema nervoso da economia digital, da indústria 4.0, da mobilidade elétrica e da inteligência artificial.
Não se trata apenas de trocar combustíveis fósseis por renováveis. Trata-se de reconstruir o sistema inteiro: produção, transmissão, consumo e até a lógica de uso.
E talvez essa seja a virada mais profunda:
a eletricidade deixou de ser insumo e virou estratégia.
De acordo com a IEA, a capacidade das fontes renováveis intermitentes deve triplicar entre 2023 e 2030. Solar e eólica avançam numa velocidade histórica.
Mas energia renovável é variável. O sol não negocia, o vento não responde a planilhas.
Isso exige redes mais inteligentes, armazenamento avançado, digitalização, previsão climática, integração descentralizada.
Em outras palavras: não basta gerar energia limpa — é preciso saber administrá-la com inteligência.
O Regulatory Assistance Project (RAP) aponta que até 2035, 90% do calor industrial poderá ser eletrificado com tecnologias já em desenvolvimento.
Isso muda tudo.
A indústria pesada — historicamente dependente de carvão e gás — começa a migrar para a eletricidade limpa. O impacto é estrutural: novas cadeias produtivas, novos investimentos, novos empregos, novas competências.
A transição energética deixa de ser pauta ambiental e vira agenda industrial.
E o Brasil? Aqui o cenário é ainda mais estratégico.
“Os dados mostram que a transição energética deixou de ser uma discussão de futuro e passou a ser uma agenda concreta de desenvolvimento econômico e industrial”, afirma Rafael Segrera, presidente da Schneider Electric para a América do Sul.
“Um estudo realizado em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) sinaliza que o Brasil pode triplicar sua capacidade de geração elétrica até 2050, com 95% dessa expansão baseada em fontes renováveis.”
O dado é poderoso. O país pode crescer com matriz limpa. Mas isso exige planejamento, infraestrutura e capacitação.
“A transição energética só será bem-sucedida se combinar inovação tecnológica, sustentabilidade e impacto social positivo”, acrescenta Segrera.
Segundo a European Distribution System Operators (E.DSO), até 2030, 80% da energia consumida nas residências será em corrente contínua.
Isso parece técnico, mas tem um significado simbólico: estamos entrando na era da eletricidade digital.
Casas com painéis solares, carros elétricos como baterias móveis, prédios inteligentes, microrredes comunitárias. O consumidor deixa de ser passivo e passa a ser produtor — o chamado prosumer.
A energia se descentraliza.
E descentralização significa poder distribuído.
Aqui entra uma camada menos discutida — e talvez a mais estratégica.
No século XX, quem controlava petróleo controlava poder.
No século XXI, quem dominar tecnologia de armazenamento, redes inteligentes, minerais críticos e digitalização energética terá vantagem competitiva.
Energia limpa não é apenas clima. É soberania tecnológica.
É por isso que datas como o Dia da Energia, comemorado mundial mente no dia 29/05, deixam de ser simbólicas e passam a ser momentos de reflexão estratégica: estamos prontos para essa transformação?
Não é só carbono.
Não é só megawatts.
É o modelo de desenvolvimento.
A década até 2030 é decisiva. Se a transição energética for conduzida apenas como substituição tecnológica, pode aprofundar desigualdades. Se for planejada com inclusão, pode gerar empregos, inovação, competitividade e justiça climática.
O desafio não é apenas produzir mais energia limpa.
É garantir que ela seja acessível, eficiente e socialmente transformadora.

Há algo quase épico nesse momento histórico.
Estamos assistindo à reconstrução do sistema energético global em tempo real. A eletrificação avança, as renováveis crescem, a digitalização acelera — e, ao mesmo tempo, a pressão climática exige urgência.
Cortar 50% das emissões enquanto se amplia 61% da geração elétrica não é apenas meta técnica. É uma prova de maturidade coletiva.
A energia nunca foi tão estratégica.
E o futuro nunca dependeu tanto da forma como escolhemos produzi-la.
Mulheres que curam: ciência, pele e liderança sustentável
O Brasil quer liderar a bioeconomia global. Mas ainda não sabe o que ela é
Mudanças climáticas encurtam o período de floração e frutificação de espécies do Cerrado