Escrito por Neo Mondo | 10 de setembro de 2017
POR - MICHAEL BECKER, Líder do Time de Implementação Regional - CEPF Cerrado - IEB (Instituto Internacional de Educação Ambiental)


Principal fronteira onde avança a agropecuária desde os anos 1960, o Cerrado tem poucas chances de seguir existindo nas próximas décadas sem ações emergenciais que ampliem sua área protegida e que levem à adoção em larga escala de práticas produtivas menos danosas ao meio ambiente.
Consolidar as áreas já protegidas é fundamental, inclusive porque menos de 3% do Cerrado estão hoje efetivamente resguardados pelo poder público. A última unidade de conservação federal criada na região foi a Estação Ecológica Chapada de Nova Roma, em agosto, com aproximadamente 6 mil hectares e está localizada no município de mesmo nome. A unidade de conservação conta com grande importância biológica, pois abriga nascentes e corpos d’água que contribuem diretamente com o rio Paranã, além de acolher espécies endêmicas da flora e da fauna. De acordo com a SECIMA, os levantamentos apontaram a ocorrência de espécies críticas da fauna, como o tatu-canastra, lobo-guará, onça-pintada, gato-do-mato-pequeno e a jaguatirica. A área está localizada próxima ao Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, o que contribui na ampliação das áreas protegidas na região e na formação de corredores ecológicos. Novas metas internacionais chanceladas pelo Brasil recomendam a conservação de pelo menos 17% de cada bioma, até 2020. [caption id="attachment_3025" align="aligncenter" width="400"]
Área da Estação Ecológica Chapada Nova Roma (GO), imagem retirada do site da SECIMA-GO. Fonte: http://www.secima.go.gov.br/post/ver/223058/goias-cria-sua-primeira-estacao-ecologica[/caption]
Enquanto isso, projeções mostram que a área plantada com soja pode saltar de 21 para 30 milhões de hectares na próxima década, sempre com foco nas “terras baratas” do Cerrado. E o alvo pode ser justamente os maiores remanescentes da savana brasileira, no Maranhão, Piauí e Tocantins. Além disso, a demanda interna e global por carnes cresce junto com as necessárias melhorias socioeconômicas.
Como soja e pecuária são os principais motores da destruição do Cerrado, respeitar a legislação e melhorar a eficiência da produção são atitudes indispensáveis. A integração de lavouras, pecuária e florestas plantadas, por exemplo, ajudaria a evitar a abertura e novas áreas e seria um sinal de que o país realmente quer fornecer itens produzidos com mais sustentabilidade aos mercados globalizados de commodities.
Afinal, se antecipar a possíveis barreiras comerciais é sempre estratégico. Inclusive porque mais de 40% dos grãos, metade do farelo e um terço do óleo de soja produzidos no Brasil são exportados. Sete em cada dez países do mundo já compraram esses itens na última década.
Estimativas oficiais apontam que até 140 milhões de hectares degradados no país, principalmente no Cerrado e na transição deste para a Amazônia. A área é duas vezes maior que a da França. Na maioria dos casos, são terras que foram desmatadas para lavouras e acabaram abandonadas pela baixa produtividade. Em seguida, viraram pastos para rebanhos até o solo se tornar imprestável economicamente pela falta de manejo adequado.

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