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Escrito por Neo Mondo | 9 de setembro de 2025
Foto: Divulgação
POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO
Em sua 3ª Conferência dos Oceanos, o Instituto Redemar Brasil propõe um encontro diferente: horizontal, popular, com ciência, comunidades tradicionais, estudantes e arte lado a lado, celebrando a vida e o mar como patrimônio comum da humanidade
Se o clima mudou, a forma de debater também precisa mudar. É com essa premissa que o Festival das Baleias 2025 chega a Salvador, propondo um novo jeito de pensar conferências ambientais. Em vez de encontros engessados, que muitas vezes excluem quem realmente vive na ponta das transformações, o Instituto Redemar Brasil coloca as pessoas no centro.
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“Gostamos de gente. E quem gosta de gente cuida do meio ambiente, que é justamente o lugar onde a vida acontece”, resume o cientista Dr. Thiago Couto, diretor de Biodiversidade da Redemar. A ideia é simples e revolucionária: incluir estudantes, comunidades quilombolas, povos tradicionais, docentes, cientistas, empresas e formuladores de políticas públicas em um mesmo espaço de troca horizontal.
Durante décadas, conferências internacionais criaram regras distantes da realidade, sem consultar aqueles que precisariam implementá-las no dia a dia. Agora, a proposta é outra: fortalecer a chamada Ciência das Comunidades, reconhecendo a sabedoria popular como parte fundamental do processo de tomada de decisão.
“Popularizar o debate abre oportunidade de aprendizado mútuo e soluções mais viáveis”, afirma André Cavalcanti, diretor de Projetos da Redemar. Já Taise Patrocínio, vice-presidente do instituto, destaca que alinhar esse espaço à política pública significa empoderar setores inteiros e qualificar a criação de leis mais efetivas.
Um dos marcos do Festival será a declaração oficial da inclusão do Curriculum Azul na base curricular brasileira. Isso significa abrir espaço para que a Amazônia Azul faça parte da formação de novas gerações, virando a chave para uma educação que conecta escola, território e oceano.
Esse movimento cria terreno fértil para que estudantes do ensino médio não sejam apenas espectadores, mas atores ativos de um futuro mais consciente e participativo.
Entre os destaques culturais está a JUBA PARADE, exposição que transforma as icônicas caudas das baleias-jubarte em obras de arte. Cada escultura, única em forma, textura e cor, simboliza a individualidade da vida e a fragilidade dos ecossistemas marinhos.
Ao ocupar os espaços urbanos, a mostra leva o oceano para dentro da cidade, diminuindo distâncias e despertando empatia. “Não vemos apenas esculturas, mas um chamado: transformar espectadores em guardiões do meio ambiente”, diz o material da Redemar.

O Festival das Baleias 2025 não é apenas celebração, mas construção coletiva. Ali, ciência e saber tradicional se encontram, arte e política se tocam, jovens e lideranças dialogam.
É um convite para virar a chave e assumir, juntos, compromissos reais com a proteção do oceano — esse território que conecta culturas, sustenta a vida e nos lembra que somos todos parte do mesmo planeta azul.
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