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Leão XIV e os pilares da Educação 5.0

Escrito por Neo Mondo | 25 de novembro de 2025

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Um artigo que devolve humanidade ao debate sobre Educação 5.0 - Papa na missa do Jubileu do Mundo Educativo / Foto: Filippo Monteforte / AFP

ARTIGO

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Por - Paulo Rocha*, especial para Neo Mondo

A mensagem do Papa Leão XIV durante o Jubileu do Mundo Educativo reacende um debate essencial: qual é o verdadeiro sentido da Educação em tempos de inteligência artificial? Ele nos lembra que “a Educação une as pessoas em comunidades vivas e organiza as ideias em constelações de sentido”. É disso que trata a Educação 5.0: integrar tecnologia e humanidade, sem perder de vista a formação integral do ser.

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Hoje, o conhecimento é instantâneo. Mas formar apenas mentes para o mercado é insuficiente. É preciso formar também corações capazes de empatia, solidariedade e transcendência. Educação é mais do que conteúdo: é cuidado, propósito, presença. Educar é um ato radical de esperança.

Leão XIV também afirma: “vocês não são apenas destinatários da Educação, mas seus protagonistas”. Esse é o cerne da Educação 5.0: o estudante como autor do próprio processo, em diálogo com o mundo. Protagonismo, porém, não é solidão. Exige educadores como mentores, comunidades de acolhimento e escuta e um ambiente emocionalmente seguro.

Outro pilar é o uso ético da tecnologia. “Sirvam-se dela com sabedoria e não permitam que a tecnologia se sirva de vocês”, alerta o pontífice. Em um mundo de telas onipresentes, a Educação precisa garantir que o humano permaneça no centro. A tecnologia deve ampliar vínculos, não substituí-los.

A Educação 5.0 busca exatamente essa síntese: preparar para um mundo em rede, mas enraizado em valores. Cientistas conscientes, líderes compassivos, empreendedores éticos e cidadãos planetários. Um modelo que ensina não só a programar máquinas, mas também a projetar futuros justos.

Exemplos concretos já existem. O Colégio Donaduzzi, no Paraná, alia personalização à resolução de problemas reais. Mentorias, laboratórios, iniciação científica precoce e atividades no contraturno ampliam o sentido do aprender. Como resume Ana Clara, 17 anos: “Aqui me sinto acolhida. Venho porque quero.” Outras iniciativas reforçam essa visão: a Steve Jobs School, na Holanda; a Ritaharju School, na Finlândia; La Cecilia, na Argentina; entre outras. São experiências que apostam na autonomia, na natureza, no trabalho em equipe e na conexão com a vida.

Mas não se deve romantizar. A UNESCO alerta que metade dos estudantes no mundo não tem acesso adequado a ferramentas digitais. O pesquisador Neil Selwyn vê a tecnologia como um campo de poder, controle e desigualdade. No Brasil, Martins (2019) denuncia a superficialidade do ensino remoto sem reflexão pedagógica. A tecnologia, sem mediação humana, não transforma: reproduz.

Por isso, menos fascínio tecnodigital e mais consciência crítica. O link não pode substituir o vínculo. A tela não pode apagar o encontro. Leão XIV fala de uma Educação “desarmante e desarmada”, baseada no diálogo, no respeito e na escuta. Educação que acolhe o diferente e reconhece nele a possibilidade de transformação. Uma pedagogia da paz.

Educar, enfim, é confiar no poder transformador de cada pessoa. Em tempos de crise, a Educação deve ser farol e esperança. Como disse o Papa, “a Educação nos ensina a olhar para o alto”. E olhar para o alto é lembrar que aprender também é transcender.

Educação 5.0 não é apenas um modelo pedagógico. É um pacto civilizatório. Um compromisso para que escolas e comunidades sejam espaços de encontro, justiça e criatividade; onde o saber técnico se alie à sabedoria do coração; e onde a esperança continue sendo o motor do aprender.

*Paulo Rocha, é Vice-Presidente do Biopark, o maior e mais moderno parque científico e tecnológico privado do Brasil, localizado no Paraná. Atuo há quase duas décadas na área da educação, inovação e desenvolvimento institucional, com foco em transformar o conhecimento em impacto social e econômico.

Sou egresso do Executive Program in International Management da Stanford Business School – National University of Singapore, mestre pela Fundação Dom Cabral em Redes Colaborativas, e MBA pelo IBMEC em Gestão de Negócios. Tenho também formação em Gerenciamento de Projetos pela Universidade Salvador e graduação em e Administração pela Universidade Federal da Bahia.

Autor dos livros Liderança Humanitária (2021) e Memórias da Alta Liderança (2019), ambos voltados à reflexão sobre propósito, gestão e o papel humano na liderança contemporânea.

foto de paulo Rocha, autor do artigo Leão XIV e os pilares da Educação 5.0
Paulo Rocha - Foto: Divulgação

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