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Escrito por Neo Mondo | 16 de junho de 2018
“Esse projeto de lei contraria frontalmente o Artigo 225 da Constituição Federal, que veda atos de crueldade contra os animais. A caça sempre vai implicar num caso de crueldade, porque os animais não são mortos com um único tiro ou uma única flechada”, diz a promotora Vânia Tuglio. “Os animais silvestres hoje são propriedade do Estado. Então, todos os órgãos do Estado, todas as polícias atuam e podem atuar para fiscalizar e para proteger os animais silvestres. Com esse projeto de lei, eles passam a ser propriedade de ninguém. Então, qualquer pessoa poderá se apropriar de qualquer animal silvestre, em qualquer situação, e fazer o que bem entender deles, a qualquer momento. Isso é gravíssimo!”, adverte a promotora.
Vânia Tuglio também chama atenção para o fato de o PL revogar o porte de arma para agentes de fiscalização de fauna e permitir o tráfico de animais silvestres, com extinção de todos os processos em andamento.
Pela rejeição
O relator do projeto na Cmads, Nilto Tatto (PT-SP), pede a rejeição do texto. “O projeto vai na contramão do sentimento da população de que é preciso proteger todas as formas de vida e ignora todo o conhecimento acumulado pela humanidade sobre a importância da biodiversidade para a vida no planeta.
Além de liberar a caça de animais, o projeto facilita o cativeiro, a crueldade contra animais, o tráfico e a comercialização e cria até fazendas de caça. Nem as espécies em extinção, nem as Unidades de Conservação ficariam livres desse perigo.
O PL da Caça, como foi apelidado, é extremamente danoso para o Brasil, e é expressão do que há de mais cruel e retrógrado no país. Por isso, como relator, fiz parecer recomendando a rejeição do projeto”, diz o parlamentar.
Proliferação de armas aumenta violência
Tatto ainda questiona os benefícios que o projeto poderia trazer para o país. “Não vejo qualquer benefício decorrente deste projeto. Os únicos a se beneficiarem seriam as indústrias de armas de fogo e, quando este setor cresce, a sociedade perde. É mais que conhecido, no mundo inteiro, que a proliferação de armas aumenta a violência e a letalidade dos conflitos”.
Tatto afirma que recebeu manifestações contrárias ao projeto, e nenhuma favorável. “Recebemos inúmeras manifestações de entidades sérias, organizações civis e instituições públicas, contrárias ao PL da Caça. Militantes da proteção animal, pesquisadores, promotores, entidades de classe, entre outros, apontam que as consequências, caso a proposta avance, seriam devastadoras. A Comissão de Meio Ambiente tem a documentação de centenas de manifestações”, diz.
“Este ano temos eleições. É a hora de usarmos nossos votos para eleger parlamentares comprometidos com os valores que defendemos e afastarmos do Congresso os inimigos do meio ambiente. Devemos conversar com nossos amigos, parentes e colegas de trabalho para convencermos o maior número de eleitores de que é possível um Legislativo melhor, mais amigo da natureza e das pessoas”, propõe o coordenador de Políticas Públicas do WWF-Brasil, Michel Santos.
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