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Escrito por Neo Mondo | 23 de outubro de 2019

Foto – Adema/Governo de SergipeNenhum dos laudos em relação à origem do óleo foi divulgado, nem houve coleta sistemática de amostras para que se possa delinear a origem da substância. Essas medidas precisam ser tomadas em nome da segurança jurídica dos prejudicados –no futuro, essas amostras serão necessárias para definir as responsabilidades em relação aos atingidos– e em nome da transparência, obrigação e dever dos agentes públicos. Também não há detalhamento sobre os recursos empregados para combater essa tragédia, como o efetivo de funcionários do Ministério do Meio Ambiente ou a localização das ações de contenção ou mitigação dos estragos. Na última quinta-feira (17), uma ação coletiva foi levada à Justiça estabelecendo prazo de 24 horas para o governo pôr em prática um plano de emergência para conter os danos causados pelas manchas de óleo que atingem o litoral do Nordeste. Em ofício, o governo federal respondeu que está agindo em conformidade com suas obrigações legais. No entanto, o PNC, instituído em 2013, ainda não foi implantado de fato. Longe dos escritórios, os moradores e as comunidades que vivem do mar, como pescadores e profissionais do turismo, são aqueles que sofrem com o cheiro forte de combustível, com a sujeira. As populações locais, tomadas pelo do senso de sobrevivência, têm sido a mão de obra das limpezas –muitas vezes sem o equipamento de proteção adequado e correndo risco de saúde. A maneira improvisada como têm trabalhado mostra a falta de treinamento e preparo técnico para lidar com a situação, mais uma evidência de que o PNC não está sendo executado como deveria. O esforço das comunidades é notável. Em Cabo Agostinho, no estado de Pernambuco, cerca de 150 voluntários trabalharam cerca de 10 horas recolhendo o material poluente neste domingo, 20 de outubro. Mas, ao final do dia, a maré alta trouxe novas manchas de óleo. A extensão desse desastre exige uma resposta à altura. E isso é responsabilidade do governo federal. A tragédia já está em curso. É imperativo que o governo federal seja efetivo em suas ações: é preciso conter o óleo, é preciso fazer a retirada do material de maneira imediata e segura. Também é imprescindível que o governo esteja atento às necessidades de segurança em relação à saúde: as populações não podem estar sujeitas a essa poluição. Uma calamidade de saúde pública pode ser o próximo capítulo dessa história. É obrigação dos agentes públicos limpar essa sujeira.
Voluntários recolhem óleo em Cabo de Santo Agostinho (PE), um dos 200 pontos atingidos no Nordeste - © Kleber de Burgos/WWF-BrasilA onça-pintada que voltou às nuvens
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