Escrito por Neo Mondo | 11 de outubro de 2017
Entre 2015 e 2016, mais 2,4 milhões de pessoas sofreram com a subnutrição na América Latina e no Caribe. Foto: EBC
Tal aumento ocorreu por causa da piora dos índices de subnutrição na América do Sul, onde o número de subnutridos passou de 20,8 milhões em 2015 para 23,7 milhões em 2016. América Central e Caribe, por sua vez, registraram diminuição do número de pessoas atingidas pela fome em 2016 (de 11,6 para 11,3 milhões e de 7,7 para 7,4 milhões, respectivamente).
Tal situação na América do Sul está ligada, sobretudo, à desaceleração econômica, taxas crescentes de desemprego, perda real do valor do salário mínimo e também à deterioração de redes de proteção social. Nesse cenário, poderemos testemunhar em breve o retorno da fome em países onde ela foi erradicada.
E o aumento da fome no mundo não é o único problema nutricional grave que a comunidade internacional tem de enfrentar.
A obesidade e o sobrepeso têm apresentado crescimento em todo o mundo, incluindo em países de baixa renda. Em 2014, mais de 600 milhões de adultos poderiam ser classificados como obesos, cerca de 13% da população adulta mundial. O excesso de peso infantil também está aumentando. No ano passado, 41 milhões de crianças menores de cinco anos apresentavam sobrepeso, um aumento de 5% em relação aos índices de 2005.
Afastar o espectro de uma reversão nutricional mais profunda e abrangente exige agora, mais que nunca, prontidão de recursos e políticas públicas que protejam os mais vulneráveis e impulsionem a retomada do crescimento sustentável, especialmente com relação ao combate à fome.
Avulta desse panorama o baixo nexo das respostas oferecidas pela Ajuda Oficial ao Desenvolvimento, focadas quase que exclusivamente no socorro alimentar de curto prazo. O mundo rico parece ter esquecido que a única solução definitiva para a miséria é o desenvolvimento.
Nessa direção, a FAO, a OMS, o UNICEF, o FIDA e o PMA são unânimes em sublinhar a urgência de uma reordenação política, que combine a assistência humanitária com ações estruturais, sobretudo em benefício das pobres e vulneráveis populações rurais do mundo em desenvolvimento.
Sem um novo salto na cooperação internacional, os reptos da pobreza e da fome tendem a romper os laços de coesão no elos mais frágeis da comunidade global.
Garantir sociedades pacíficas, inclusivas — e sustentáveis — tornou-se o requisito necessário ao cumprimento de Agenda 2030 de erradicação da fome e da miséria no planeta.
O que o repto do infortúnio está dizendo à cooperação internacional é que para que isso aconteça é preciso salvar vidas, mas também os meios de subsistência que assegurem sua autonomia e resiliência diante dos novos ventos que sopram no mundo.
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