Escrito por Neo Mondo | 24 de julho de 2017
A pesquisa foi desenvolvida pelo Instituto Biotrópicos que, por meio de câmeras automáticas, captou imagens de mamíferos transitando nos dois ambientes distintos - vegetação de Cerrado regenerada após desmatamento e vegetação de Cerrado que não sofreu impactos significativos nas últimas quatro décadas.
Entre as espécies registradas, o lobo-guará e o tamanduá-bandeira foram vistos em uma área em regeneração situada dentro do Parque Estadual Veredas do Peruaçu, no norte do estado de Minas Gerais, onde o WWF-Brasil desenvolve iniciativas de conservação ambiental e apoia a organização em ações para o monitoramento de fauna.
O autor da pesquisa, Guilherme Ferreira, conta que o resultado tem implicações para as extensas áreas que foram desmatadas no passado e hoje encontram-se em estágio inicial de regeneração. “Nas décadas de 70 e 80 tivemos grandes plantações de eucalipto no norte de Minas Gerais, que foram posteriormente abandonadas e, com o passar o tempo, a vegetação nativa foi regenerando em alguns fragmentos. Em condições favoráveis, estas áreas podem se tornar importantes ambientes para os animais ameaçados de extinção, mas isso não quer dizer que todo Cerrado que foi desmatado poderá abrigar espécies raras no futuro. A proteção da vegetação que está em recuperação, o controle de queimadas e a existência de animais silvestres nas proximidades são cruciais para que estas áreas se transformem em habitat favorável à biodiversidade”, ressalta.
Apesar de estar bem estabelecido que áreas regeneradas de floresta desempenham um importante papel na conservação da biodiversidade, até então não haviam estudos conferindo sua importância para fauna do Cerrado.
Kolbe Soares, analista de conservação do Programa Cerrado Pantanal do WWF-Brasil, avalia que esta constatação é muito importante, uma vez que os trabalhos de recuperação de áreas do Cerrado tendem a se intensificar com a implantação do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa – PLANAVEG (Decreto 8972/17).
De acordo com Soares, “os grandes produtores rurais do bioma apresentam um passivo alto de áreas para serem recuperadas, propiciando ambientes que possam formar corredores ecológicos e extensas faixas de Cerrado conectadas, aumentando a diversidade de fauna e flora e, consequentemente, a riqueza da biodiversidade”.
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