POR - ONU / NEO MONDO
Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, lembrado na próxima quinta-feira (8), a ONU Mulheres e a fundação “Desenhando pela paz” (Cartooning for Peace) divulgaram uma série de charges que criticam as desigualdades de gênero. Com traços e diálogos ácidos, artistas chamam atenção para a situação de mulheres privadas de direitos em diferentes contextos

Os cartuns são do livro “Abram espaço para as mulheres!” (tradução livre de
Make place for women!), lançado no ano passado. A verba das vendas é revertida em recursos para a fundação, que protege artistas ameaçados por questionar o status quo onde vivem. A “Desenhando pela paz” é uma organização sem fins lucrativos, composta por uma rede de 162 cartunistas de 59 países.
Confira abaixo as charges selecionadas pela ONU Mulheres:
1.
Imagem: Angel Boligan
Angel Boligan é cubano e reside na Cidade do México. Trabalhou como editor, ilustrador e cartunista para
El Universale
Conozca mas. Ele trabalha atualmente para a revista de humor
El Chamuco. Já recebeu mais de 120 prêmios e reconhecimentos em concursos internacionais de cartum.
2.
Imagem: Cecile Bertrand
No cartum, lê-se ao alto: “O Dia das Mulheres é algo a se comemorar”. No diálogo, o homem afirma “Não sei nada sobre vinho”, ao que a mulher responde: “Eu sei”. O homem a ignora e decide: “Bom, vamos tomar um Bordeau 2007”.
Desde 2005, a belga Cecile Bertrand é designer editorial do jornal diário
La Libre Belgique. Anteriormente, trabalhou para uma variedade de jornais e revistas como
Le Vif/L’Express. Em 1999, recebeu o segundo Prêmio da Imprensa Cartum Bélgica. Em 2007 e 2011, foi condecorada com o Grande Prêmio por uma charge publicada no
La Libre Belgique.
3.
Imagem: Patrick Chappatte
Em meio a uma guerra, duas meninas conversam. A da esquerda pergunta: “E você, o que gostaria de ser quando crescer?”. A da direita responde: “Estudante”.
Patrick Chappatte nasceu no Paquistão e vive atualmente em Genebra, onde trabalha como cartunista para a sucursal internacional do jornal
New York Times e para os jornais suíços
Le Temps e
NZZ am Sonntag. Em 2011 e 2015, Chappatte recebeu o Prêmio do
Overseas Press Club of America’s Thomas Nast pelas melhores charges sobre relações internacionais. O artista também é o cofundador e vice-presidente da fundação “Desenhando pela paz”.
4.
Imagem: Liza Donnelly
Mulher em entrevista de emprego questiona o empregador: “Você está me contratando porque custo pouco, porque sou qualificada ou porque custou pouco e sou qualificada?”.
A norte-americana Liza Donnelly é escritora e cartunista da
The New Yorker Magazine e desenhista residente da CBS News. Seu trabalho também já foi publicado em vários outros meios de comunicação, como o
New York Times,
Politico e
Glamour. Liza é enviada cultural para o Departamento de Estado dos Estados Unidos e, por isso, viaja pelo mundo para falar sobre liberdade de expressão, cartuns e direitos das mulheres. Ela já recebeu o Prêmio de Mulher de Distinção, da
American Association of University Women.
5.
Imagem: Firoozeh Mozaffari
A iraniana Firoozeh Mozaffari trabalha em diferentes jornais —
Shargh,
Etemad e
Farhikhtegan — e também para o site de notícias
Khabaronline. A artista já recebeu vários prêmios por suas charges em festivais no Irã e foi reconhecia com o primeiro Prêmio Internacional da “Desenhando pela Paz”, entregue em 2012 pelo ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan.
6.
Imagem: Adriana Mosquera Soto
Adriana Mosquera Soto é colombiana e espanhola e já trabalhou para diferentes jornais do mundo hispânico, como
El Tiempo,
El Espectador,
La Razón e
El País. Ela contribui com a luta pela igualdade de gênero e batalha para dar visibilidade às cartunistas mulheres. Adriana já firmou uma parceria com a ONU, criando a personagem Magola da Colômbia, usada como um símbolo de emancipação e igualitarismo em campanhas e livros didáticos.
7.
Imagem: Marilena Nardi
A italiana Marilena Nardi já colaborou com os jornais
Corriere della Sera,
Diario,
Barricate! e
L’Antitempo. Atualmente, trabalha para o veículo
Il Fatto Quotidiano, para a revista trimestral
Espoir e para jornais online, como o Aspirina. Ela já recebeu mais de 50 prêmios ao longo da carreira.
8.
Imagem: Plantu
Em reunião, um executivo diz: “E como dizia o poeta: ‘as mulheres são o futuro da humanidade’. Anota isso aí, Brigitte”.
Charge do cartunista francês Plantu, que publicou seu primeiro cartum no jornal
Le Monde em outubro de 1972, sobre a Guerra do Vietnã. Desde 1985, seus desenhos passaram a ser regularmente publicados na capa do diário. Também trabalhou para as revistas
Phosphore e
L’Express. Em 2006, Plantu e o ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, organizaram um simpósio em Nova Iorque, onde foi criada a “Desenhando pela paz”.
9.
Imagem: Rayma Suprani
A venezuelana Rayma Suprani já trabalhou para vários jornais em Caracas, como
El Diaro Economia Hoy,
Diario de Caracas e
El Universal, onde foi cartunista-chefe por 19 anos. Rayma foi ameaçada muitas vezes por suas charges e se tornou uma defensora dos direitos humanos, realizando uma exposição dedicada exclusivamente à representação das mulheres.
10.
Imagem: Cristina Sampaio
A portuguesa Cristina Sampaio trabalha desde 1986 como ilustradora e cartunista para diversos jornais e revistas em Portugal e fora do país, como Expresso,
Kleine Zeitung,
Courrier International,
Boston Globe,
Wall Street Journal e
The New York Times. A artista também já trabalhou com animação, multimídia e direção de arte, além de ter publicado livros infantis.
11.
Imagem: Nicolas Vadot
No canto superior esquerdo, lê-se: “Homens/mulheres: escala dos salários”. O executivo diz: “Procuro alguém ambicioso, que não perca tempo cuidando das crianças ou passando roupa”.
Nicolas Vadot, de nacionalidade francesa, britânica e australiana, trabalha para as revistas
Newsmagazine e
Le Vif/L’express e para o jornal diário de finanças
L’Echo. O artista também produz histórias em quadrinhos e, desde 2011, apresenta programas de rádio na estação RTBF.
12.
Imagem: Nadia Khiari (Willis de Tunes)
No alto, lê-se a pergunta: “De saco cheio de ver todas essas mulheres peladas nas revistas?”. A personagem responde: “Sim! Queremos mais homens pelaaaados!”.
Nadia Khiari, também conhecida como Willis de Tunes, é professora de arte e já escreveu diversas coletâneas de crônicas sobre as Primaveras Árabes. Suas charges também foram publicadas nos veículos
Siné Mensuel,
Courrier International e
Zelium. A artista criou o cartum “Willis, o gato” para expressar o que sentia em relação às Primaveras Árabes no Facebook — o desenho virou um fenômeno de público.