Destaques Saúde Tecnologia e Inovação
Escrito por Neo Mondo | 10 de dezembro de 2017
POR – DEUTSCHE WELLE / NEO MONDO
Como surge uma ideia? Existem pessoas mais criativas que outras? Cientistas buscam respostas para o processo criativo, que pode estar ligado à personalidade e ser estimulado por meio de técnicas específicas


Criatividade e loucura
"Estudos apontam que parentes de pessoas com problemas de saúde mental são muitas vezes mais criativos", explica Lehmann. "Mas você não pode dizer que alguém tem um estado mental doente ou saudável. Não é preto e branco, é mais um gradiente cinza. Em algum lugar no meio desse gradiente pode-se encontrar uma pessoa que seja mais criativa e, ao mesmo tempo, tenha uma predisposição a problemas de saúde mental."
O neurocientista acrescentou que a partir do momento que o distúrbio mental domina, "a capacidade de formular pensamentos claros é perdida".
Um distúrbio mental frequentemente associado à criatividade é o transtorno bipolar. As pessoas afetadas vivenciam períodos de euforia seguidos de fases de depressão. Os períodos eufóricos, conhecidos como fases maníacas, podem durar meses e são caracterizados pela hiperatividade. Durante essas fases, tarefas criativas podem ser realizadas com mais facilidade e rapidez, enquanto que a depressão subsequente faz geralmente com que as pessoas tenham mais dificuldade de se concentrar em atividades criativas.
"O compositor alemão Robert Schumann era conhecido por sofrer de transtorno bipolar. Nas suas fases maníacas, ele compôs muito mais do que durante as fases depressivas", diz Lehmann. "É interessante notar que as composições que ele escreveu quando estava em fases maníacas não são necessariamente melhores do que as compostas durante a depressão."
Naturalmente uma pessoa não precisa ser mentalmente instável ou ter uma predisposição genética para ser criativa. "Todo mundo tem a capacidade de ser criativo, talvez não como Leonardo da Vinci, mas cozinhar bem já é um ótimo começo!", frisa Lehmann.
O que fazer quando o bloqueio ataca
Quem exerce uma profissão que demanda criatividade conhece o sentimento de vazio desencadeado pela falta de ideias. Existem duas abordagens diferentes para "reativar" o cérebro.
Um dos métodos indica: apenas comece. As regiões cerebrais treinadas começarão, então, seu processo de escolha e avaliação de informações, o que pode desencadear uma cascata de atividades que levam a uma ideia criativa.
Outra ideia é baseada exatamente no oposto: reúna o problema, tente fazer algumas pesquisas, encontrar algumas soluções e, então, deixe suas anotações de lado e saia para uma caminhada ou, simplesmente, vá tirar uma soneca.
"Assim, tenta-se manipular o cérebro na esperança de ativar a rede de modo default (DMN) e deixá-lo fazer o trabalho", conclui Lehmann.
Mulheres que curam: ciência, pele e liderança sustentável
O Brasil quer liderar a bioeconomia global. Mas ainda não sabe o que ela é
Mudanças climáticas encurtam o período de floração e frutificação de espécies do Cerrado