Escrito por Neo Mondo | 24 de outubro de 2017
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Preservação dos polinizadores
Em 2016, um experimento realizado pela Embrapa Trigo, em Passo Fundo, RS, registrou 1065 abelhas em 125 metros quadrados de canola em floração, no período de seis horas de coleta distribuídos em três dias consecutivos. Além da espécie exótica, Apis melífera (conhecida como abelha africana), foram identificadas outras 26 espécies de abelhas nativas. “As abelhas nativas foram as mais abundantes na canola, fato que evidencia a necessidade de preservação de áreas de ocorrência naturais adjacentes às lavouras de canola, a fim de promover o serviço de polinização na cultura alvo”, explica o pesquisador Alberto Marsaro Júnior.
O esforço para assegurar a presença das abelhas a serviço da agricultura é um problema que pesquisadores dos Estados Unidos e Europa conhecem bem, enquanto tentar evitar a morte das colônias no chamado DCC - Desordem do Colapso das Colônias. As mortes são causadas por parasitas, uso indiscriminado de agrotóxicos e mudanças no habitat natural. Segundo os pesquisadores, grandes doses de inseticidas podem causar a morte imediata das abelhas e, em pequenas doses, as abelhas perdem o senso de localização e não conseguem mais voltar para a colmeia, que aos poucos se extingue.
De acordo com a Embrapa, embora o uso de agrotóxicos geralmente seja menor no cultivo de canola em comparação com outras culturas de grãos, a sanidade das colmeias depende do uso racional e seletivo de agroquímicos. “As abelhas são extremamente sensíveis a produtos como inseticidas, fungicidas e herbicidas, que podem causar alterações no comportamento desses polinizadores e até levar à morte dos enxames”, alerta o pesquisador Marsaro Júnior.
De modo geral, recomenda-se não aplicar defensivos agrícolas durante o florescimento da canola, mas caso seja necessário, deve-se priorizar o uso de defensivos seletivos, ou seja, produtos que são eficientes no controle de pragas ou doenças, mas que apresentam baixa toxicidade para os insetos polinizadores. Além disso, para reduzir os riscos para as abelhas, deve-se evitar aplicar os defensivos nas horas mais quentes do dia (período de maior atividade das abelhas), priorizando-se as aplicações durante a noite, adiantado período do entardecer ou início do amanhecer, preferencialmente utilizando-se produtos de rápida degradação.
Saiba mais no vídeo “Insetos polizadores na canola”.
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