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Escrito por Neo Mondo | 22 de outubro de 2018
O engajamento do segmento de transporte marítimo é tido como estratégico para viabilizar as metas climáticas das Nações Unidas. Em 2015, último ano com dados contabilizados pela OMI, o transporte marítimo internacional liberou mais de 810 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2), principal gás de efeito estufa, na atmosfera terrestre, o que representou 2,25% de todas as emissões decorrentes de atividades humanas naquele ano. Se esse setor fosse um país, suas emissões de CO2 o posicionariam na 6ª colocação entre os maiores emissores de gases de efeito estufa do planeta, comparável à Alemanha. Com o crescimento previsto da frota e a intensificação do comércio internacional nas próximas décadas, estima-se que as emissões do setor cheguem a 3,5 bilhões de toneladas de CO2 em 2075, segundo números do Conselho Internacional do Transporte Limpo (ICCT, sigla em inglês).
A proposta de reduzir a velocidade máxima (também conhecida como slow steaming) é defendida por grupos conservacionistas e ambientalistas não só porque ela pode reduzir o número de colisões de grandes navios com baleias e golfinhos, mas também porque diminui a poluição sonora subaquática. "A poluição sonora gerada pelos navios nos oceanos eleva os níveis de hormônios relacionados ao estresse nas baleias, o que pode impactar sua capacidade de se reproduzir e afetar seus sistemas imunológicos", explica Regina Asmutis-Silvia, diretora da Whale and Dolphin Conservation. "Além disso, os choques entre embarcações e baleias e golfinhos são bastante frequentes, especialmente no Atlântico Norte, tornando essas espécies ainda mais vulneráveis em alto-mar. Velocidades reduzidas nas embarcações podem diminuir esse tipo de incidente, o que ajudar na recuperação natural das populações de baleias e golfinhos nos oceanos".
Na carta encaminhada à OMI, as organizações que defendem a proposta de limitar a velocidade máxima de embarcações de grande porte ressaltam que os países precisam analisar a medida e definir um cronograma para a realização de um estudo de impacto antes de decidir pela adoção. "[Um controle sobre a] velocidade pode ser uma ferramenta valiosa para a OMI em prol do clima, da saúde humana, e da vida marinha", diz a carta assinada pelas organizações Anderson Cabot Center for Ocean Life, Antarctic and Southern Ocean Coalition, Environmental Investigation Agency, Marine Conservation Society, Pacific Environment, Quercus, Seas at Risk, Surfrider Foundation, Whale and Dolphin Conservation, e WWF International.
Cerca de 30% da frota mundial é formada por grandes navios que transportam contêineres, grãos, petróleo, gás liquefeito, cruzeiros e cargueiros. No entanto, eles são responsáveis por 75% das emissões de carbono de todo o setor de transporte marítimo. Estudos apontam que o slow steaming dessas embarcações poderia cortar em 1/3 as emissões de carbono do setor, já que a queima de combustível é reduzida na medida em que a velocidade dos navios diminui. Essa redução é equivalente ao fechamento de 82 usinas termelétricas a carvão, um dos tipos mais poluentes de unidade geradora de eletricidade.
Os ambientalistas destacam ainda que é uma medida fácil de ser adotada pois não exige troca ou modificações nas embarcações, algo interessante do ponto de vista operacional, já que as embarcações comerciais têm um ciclo de vida entre 25 e 30 anos de atividade. Assim, ela não requer nenhum investimento de entrada em novas infraestruturas ou tecnologias.
A reunião do Comitê de Proteção Ambiental Marítima da OMI, responsável por avaliar essa proposta, acontecerá até o dia 26 de outubro, em Londres, no Reino Unido.
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