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Salvador: quando o mar fala, a cidade escuta

Escrito por Neo Mondo | 30 de junho de 2025

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Salvador e baleias jubarte: ritmo e poesia que vem do mar - Imagem gerada por IA - Foto: Ilustrativa/Divulgação

POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO

Capital baiana se firma como referência internacional no turismo de observação de baleias, unindo natureza, cultura, sustentabilidade e inclusão em um só movimento de encantamento e consciência

Nas águas cálidas do Atlântico Sul, onde o tempo se deita preguiçoso nas ondas e o vento sopra com memória ancestral, um espetáculo grandioso se repete a cada ano: o balé das jubartes. São mais de 30 toneladas de leveza que cortam o oceano para dançar diante de Salvador — cidade que sempre soube escutar os ritmos do mundo e traduzir em poesia o que vem do mar.

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Mas, nesta Salvador que canta e acolhe, o turismo de observação de baleias deixou de ser apenas contemplação para se tornar compromisso. A capital baiana consolida-se como um dos destinos mais promissores do planeta no turismo ético e sustentável voltado à vida marinha. Desde 2021, integra o seleto programa internacional Whale Heritage Sites, que reconhece territórios onde humanos e cetáceos convivem em harmonia, com respeito e propósito.

Por trás dessa transformação está o Instituto Redemar Brasil, que há cinco anos semeia ciência, afeto e educação ambiental ao longo da orla soteropolitana. Em parceria com a AMARA NZERO, a MTC e a Secretaria de Turismo da Bahia (SETUR), a Redemar promove uma verdadeira costura de saberes — entre pescadores, estudantes, turistas, cientistas, gestores públicos e moradores — onde todos têm voz, vez e território.

“Estamos construindo um novo paradigma para o turismo costeiro. Um turismo que escuta as vozes da comunidade, respeita os ciclos da natureza e educa o olhar de quem chega. Salvador não é apenas um cenário: é um sujeito ativo na conservação marinha”, destaca William Freitas, presidente do Instituto Redemar Brasil.
E arremata, com a força de quem sente o oceano pulsar nas veias:
“Quando uma jubarte salta diante do Farol da Barra ou das pedras de Itapuã, ela não está só nos encantando — ela está nos convocando. A beleza é um chamado. E Salvador está respondendo com consciência, coragem e acolhimento.”

Turismo com alma, ciência e pertencimento

Entre as muitas iniciativas que fazem da capital baiana uma referência mundial, duas se destacam:

  • Mapa Participativo de Registros de Baleias: uma plataforma colaborativa que convida moradores e visitantes a registrarem avistamentos de jubartes ao longo da costa. Esses relatos alimentam pesquisas científicas e fortalecem a ciência cidadã.
    🔗 Acesse o mapa
  • Cartilha e vídeo de boas práticas: materiais educativos amplamente difundidos pelas redes sociais e aplicativos, orientando sobre como observar baleias de forma segura, ética e respeitosa. A cartilha tem o selo do ICMBio/CMA e é voltada tanto para turistas quanto para operadores de embarcações.
    📽️ Veja o vídeo
    📘 Baixe a cartilha
foto de cauda de baleia jubarte em salvador,  na Bahia
Em Salvador, o turismo de observação de baleias deixou de ser apenas contemplação - Foto: Divulgação

Um santuário em águas baianas

A costa atlântica de Salvador é reconhecida internacionalmente como uma Área Marinha Ecologicamente ou Biologicamente Significativa (EBSA), segundo o Protecting Blue Corridors. Já a imponente Baía de Todos os Santos é considerada uma zona crítica de alcance das jubartes — reforçando o papel vital da região na conservação da espécie.

A temporada reprodutiva, que vai de julho a outubro, traz cerca de 32 mil baleias-jubarte para o litoral da Bahia. Depois de décadas de caça predatória, essas gigantes do mar enfrentam hoje novos desafios, como a colisão com embarcações e a poluição sonora. Cuidar de seus refúgios é mais do que um gesto ambiental: é um pacto com a vida.

Para o secretário estadual de Turismo da Bahia, Maurício Bacelar, a experiência das jubartes traduz a essência do turismo sustentável:

“O avistamento de baleias no litoral da Bahia é fruto de uma articulação entre o poder público e a sociedade civil. É uma experiência que valoriza nosso turismo e reafirma o compromisso do estado com a natureza e com a nossa cultura.”

Em Salvador, a baleia não é só um símbolo. É uma presença viva, uma professora do tempo, um lembrete de que o mar é origem e destino. Que a beleza pode ser um caminho. E que escutar o oceano é, talvez, a forma mais urgente de escutar a nós mesmos.

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