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Escrito por Neo Mondo | 6 de julho de 2026
Campanha que levou a mensagem "Sem Azul Não Há Verde" ao mundo e ajudou a colocar a conservação marinha no centro do debate público brasileiro, na foto Paul Watson, embaixador da campanha - Foto: Divulgação
POR - REDAÇÃO NEO MONDO
A campanha "Sem Azul Não Há Verde", da aliança SOS Oceano, transforma conservação marinha em tema de alcance nacional e conquista reconhecimento no maior festival de criatividade do mundo
A proteção do oceano brasileiro ganhou projeção internacional nesta semana com a premiação da campanha “Sem Azul Não Há Verde”, criada pela agência Droga5 para a aliança SOS Oceano, no Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions 2026. O reconhecimento celebra uma iniciativa que contribuiu para ampliar o debate público sobre a conservação marinha, mobilizando influenciadores, cientistas, organizações da sociedade civil e lideranças ambientais em torno da criação de novas áreas protegidas no país.
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A campanha fortaleceu a atuação da coalizão SOS Oceano, formada por organizações dedicadas à conservação dos ecossistemas marinhos e costeiros, entre elas a Rede Pró-UC, Sea Shepherd Brasil, NEMA, Golfinho Rotador, Divers for Sharks, Cátedras UNESCO e Tubarões e Raias de Noronha. A mobilização teve o apoio de cerca de 50 organizações da sociedade civil e mais de 40 influenciadores e personalidades, incluindo Anitta, Alok e Luana Piovani. O movimento também contou com o engajamento do líder indígena Raoni Metuktire e do ambientalista canadense Paul Watson, embaixador da campanha.
“A campanha transmite uma mensagem simples e poderosa: sem oceano saudável não existem florestas saudáveis e nem equilíbrio climático. Ao aproximar esse tema da sociedade, conseguimos ampliar a visibilidade da necessidade de proteger ecossistemas marinhos estratégicos e reforçar a defesa de novas Unidades de Conservação costeiras e oceânicas”, afirma Angela Kuczach, articuladora da coalizão.
Segundo Maria Carolina Contato, diretora do NEMA, organização gaúcha que há mais de 20 anos atua pela proteção do Albardão, a conquista foi resultado de um processo construído ao longo de anos por pesquisadores, comunidades locais, organizações da sociedade civil e órgãos ambientais, que ganhou força com a campanha.
“A campanha ajudou a dar visibilidade nacional a uma pauta que, por muitos anos, permaneceu restrita a especialistas e organizações da sociedade civil. Esse engajamento foi importante para fortalecer a mobilização em defesa do Albardão e reforçar a necessidade de ampliar a proteção dos ecossistemas marinhos brasileiros. Embora cerca de 26% da área marinha do país esteja sob alguma categoria de proteção, apenas uma pequena parcela conta com proteção integral efetiva. Avançar na criação e implementação dessas áreas é fundamental para que o Brasil cumpra seus compromissos internacionais de conservação”, afirma.
Um Leão pelo oceano
Premiada na categoria Print & Publishing Lions – que reconhece campanhas que utilizam meios impressos, editoriais ou sua linguagem visual para comunicar uma mensagem de forma criativa e impactante –, a campanha teve como inspiração uma frase da oceanógrafa Sylvia Earle, uma das maiores referências mundiais em conservação marinha: “Sem azul não há verde”.
"Nosso desafio era transformar uma pauta complexa em algo impossível de ignorar. 'Sem Azul Não Há Verde' nasceu da ideia de que proteger o oceano não é algo restrito aos ambientalistas, mas uma questão que impacta a vida de todos nós. Ver esse trabalho reconhecido em Cannes reforça que a criatividade pode ampliar conversas importantes e mobilizar mudanças reais", comenta Gabriela Rodrigues, Chief Impact Officer, na Droga5.
Para Diego Limberti, Chief Creative Officer na Droga5, o Leão também representa um reconhecimento à força do design brasileiro no cenário internacional. "Quando conceito, execução e propósito caminham juntos, o craft deixa de ser apenas uma linguagem visual e se torna uma ferramenta capaz de gerar entendimento, emoção e impacto. Esse prêmio mostra que a criatividade brasileira continua relevante quando colocam grandes ideias a serviço das pessoas e da sociedade."
Além de Albardão, outras áreas estratégicas para a conservação marinha são consideradas prioritárias pela coalizão e estarão no centro de sua atuação nos próximos anos. Entre elas estão o arquipélago de Fernando de Noronha e a região da Foz do Amazonas, reconhecidas por sua excepcional biodiversidade e por seu papel fundamental na manutenção dos serviços ecossistêmicos essenciais para o equilíbrio climático e o desenvolvimento sustentável do país.
Lançada às vésperas da COP30, a SOS Oceano tem contribuído para fortalecer a agenda de conservação marinha no Brasil, em um contexto de crescente mobilização internacional para ampliar a proteção dos oceanos e cumprir a meta global de conservar 30% das áreas marinhas até 2030.
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