POR – REDAÇÃO NEO MONDO
“Se somente as pessoas que moram em edifícios projetados adotarem conceitos de sustentabilidade teremos um cenário muito infeliz, já que, mesmo em países desenvolvidos, este tipo de construção representa menos de 1% das habitações”, opinou a professora doutora da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da UNICAMP, Vanessa Gomes, especialista em Projetos de Construções Sustentáveis. Para ela, as principais melhorias podem ser feitas na gestão da água e da energia.
A própria escolha dos eletrodomésticos da residência pode ser pautada pela economia, já que, há mais de 20 anos, o país possui o Selo Procel cujo objetivo é orientar o consumidor no ato da compra, indicando os produtos que apresentam os melhores níveis de eficiência energética dentro de cada categoria. “No caso da economia de água, o que consome mais são os vasos sanitários e o chuveiro. Hoje já existem válvulas de descarga com dois volumes de limpeza, não sendo necessário o uso da caixa de descarga. Já para os chuveiros existem reguladores de vazão que podem ser implantados, com custo baixo e que diminuem a quantidade de água consideravelmente”, disse.
Segundo ela, muitas vezes o que desestimula a implantação deste tipo de recurso é que as pessoas comparam com a economia imediata que terão na conta de água e luz, uma postura incorreta. “Não pagamos o valor real dos bens como água e energia. Se pensarmos que estes são produtos cuja oferta está diminuindo, pelas regras de mercado, os preços deveriam estar subindo, mas isso não acontece, pois o setor é muito subsidiado”, comentou.
Outras saídas para adaptação das construções é o investimento em pequenas reformas, incluindo substituição de artigos cromados, cujo impacto é grande, recusa de móveis com tratamentos de couro, que geralmente possuem alta toxicidade, opção por produtos de madeiras certificadas, substituição de lâmpadas incandescentes por fluorescentes, entre outras. Segundo Vanessa, sistemas de aproveitamento de água da chuva e de aquecimento solar também são simples de serem implantados, ao contrário dos de reuso da água, que necessitam de investimento e assessoria especializada. “No caso da água de chuva, já é bastante utilizado no Nordeste, enquanto o de aquecimento solar já tem tecnologia consolidada”, afirmou.
Maus hábitos utilizados na limpeza das residências também devem ser combatidos por habitantes com consciência ambiental. A utilização de produtos de limpeza à base de solvente ou cloro deve ser evitada, pois podem causar danos à saúde. Produtos à base de água ou mais diluídos devem ter preferência. Atentar para o clima do lado de fora da casa pode evitar uso desnecessário do ar condicionado ou mesmo de iluminação exagerada.
“Tudo é uma questão comportamental. O reaproveitamento de concreto já é feito há muito tempo no Brasil, mas antes não era divulgado, porque as pessoas não recebiam bem. Hoje isso é visto como uma vantagem porque há uma preocupação com a destinação dos resíduos. Existe a consciência de que qualquer processo de produção de qualquer coisa tem que considerar os impactos do processo como um todo” teorizou.
Habitante Consciente
Pequenas ações que fazem a diferença
• Optar por eletrodomésticos com o selo Procel, que aponta níveis de eficiência energética;
• Atentar para o consumo de vasos sanitários e chuveiros, se possível, incrementando reguladores de fluxo;
• Tintas, lâmpadas, móveis, tudo deve ser pensado considerando o impacto ambiental;
• Abrir janelas com frequência ajuda a melhorar a qualidade do ar e evita aparecimento de fungos;
• Procurar interagir com os elementos do edifício pode evitar desperdício, como utilização do ar condicionado em dias frescos, utilização da luz solar ao abrir cortinas, etc.
• É sempre válido lembrar um dos principais conceitos da sustentabilidade: REDUZIR- REUTILIZAR – RECICLAR
Fonte: Profª Vanessa Gomes