Tartaruga-verde nas Ilhas Cagarras, Rio de Janeiro – Foto: Caio Salles
POR – REDAÇÃO NEO MONDO
O Instituto Mar Adentro, através do projeto Conhecer para Preservar iniciou, em agosto de 2018, a marcação com GPS e o monitoramento de 15 fragatas do Monumento Natural das Ilhas Cagarras (MONA Cagarras) e da Estação Ecológica Tupinambás (ESEC Tupinambás)
Deste total, sete rastreadores enviaram alguma informação, sendo que apenas cinco enviaram mais de quatro meses de dados sobre o deslocamento, e dois ainda continuam enviando informações. O resultado pode ser conferido neste novo vídeo (abaixo), produzido através do Projeto Conhecer para Preservar, realizado pelo Instituto Mar Adentro e apoiado pela WWF Brasil, para fazer parte da exposição “Nas Asas da Ciência – Um voo pelas Ilhas Cagarras”, que fica em cartaz no saguão do Aeroporto Santos Dummont, até o dia 20 de fevereiro.
A colônia reprodutiva de fragatas do MONA Cagarras tem aproximadamente 5.500 aves e é uma das duas maiores colônias desta espécie no Atlântico Sul. Por isso, esta Unidade de Conservação, que entrou recentemente para a seleta lista internacional de Hope Spots, da Mission Blue, é considerada um santuário para as fragatas. No entanto, a proximidade (8 km da costa) de uma grande metrópole como o Rio de Janeiro oferece riscos para essas aves que sofrem com os impactos da poluição, da pesca e até mesmo da prática de empinar pipas.
Para auxiliar na preservação desta espécie, a pesquisadora Larissa Cunha, do projeto Ilhas do Rio, passou a monitorar o padrão de deslocamento diário das duas aves, carinhosamente batizadas de Maria e Chico e, com isso, descobrir as principais áreas de alimentação, as regiões de potencial contato com poluentes e os locais de interação com a pesca.
De acordo com o rastreamento, a Baía de Guanabara e a Baía de Sepetiba são as principais áreas de alimentação das fragatas. No entanto, um dos dados mais relevantes do monitoramento mostrou que Unidades de Conservação marinhas e costeiras foram os destinos mais utilizados pelas aves para descanso e alimentação durante o seu trajeto, reforçando a importância dessas áreas públicas para proteger espécies com grandes territórios de vida, como as fragatas. Dentre as áreas protegidas utilizadas pelas aves, destacam-se: Monumento Natural das Ilhas Cagarras (RJ), Estação Ecológica de Tamoios (RJ), Estação Ecológica Tupinambás (SP), Parque Estadual da Ilha do Cardoso (SP), Refúgio da Vida Silvestre de Alcatrazes (SP) e Reserva Biológica Marinha do Arvoredo (REBIO Arvoredo – SC).
O vídeo, que contou com recursos do Projeto Ilhas do Rio sob curadoria técnica do WWF Brasil e patrocínio da Associação IEP e JGP, também mostra que os machos são os que realizam os maiores deslocamentos. Chico chegou a percorrer 708 km, maior distância alcançada, partindo da Ilha Redonda (MONA Cagarras) até o entorno da REBIO Arvoredo, em Santa Catarina. Foi Chico também que obteve o maior deslocamento em 24 horas, sem parar, chegando à marca de 538 km. Apesar disso, constatou-se que as fêmeas têm maior atividade diária de voo, deslocando-se por regiões mais próximas da área do ninhal. Em média, Maria teve três vezes mais atividade diária que Chico.
Uma outra curiosidade é que durante a pandemia foi registrado um aumento significativo de mortes de fragatas por linhas de pipas. Isto porque, com as crianças fora da escola e o comércio fechado, a brincadeira tornou-se mais habitual e o uso indevido da linha chilena e linha com cerol, acabou resultando nessa triste estatística.
Quem quiser conferir essas e outras informações, dia 17, a pesquisadora Larissa Cunha participa de uma live para apresentar alguns dos resultados já obtidos pelo monitoramentos destas aves dentro da série de encontros online que o CNPQ e o Museu Nacional estão realizando durante todo o mês de fevereiro, como parte da programação da exposição “Nas Asas da Ciência – Um Voo pelas Ilhas Cagarras”, transmitidos ao vivo pelo Youtube do CNPq (https://www.youtube.com/c/CNPqOficial), sempre das 10h às 12h.