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ARTIGO
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POR – MÁRCIO JAPPE*, PARA NEO MONDO
Em sua obra “O Paradoxo da Prosperidade”, Clayton Christensen explora o conceito de prosperidade, argumentando que ela vai além de questões meramente econômicas, se conectando diretamente a um conceito mais amplo de bem-estar, o que inclui riquezas materiais e imateriais. Além disso, constrói um fundamento consistente ao demonstrar que inovações, em especial as criadoras de mercado, são uma importante ferramenta para a geração de prosperidade.
Correndo o risco de soar óbvio, inovar é, portanto, primordial para a geração de impacto positivo na sociedade. A liberdade necessária para fazê-lo depende de acesso a recursos, ou seja, dinheiro e tecnologia; capabilidade, que significa competências para saber e poder fazer; funcionalidade, que é efetivamente fazê-lo; e, finalmente, ter uma boa razão para tal, ou o impacto positivo e a viabilidade financeira do empreendimento, por exemplo. Quais seriam as competências necessárias para inovar com impacto? Ou em outras palavras, que tipo de competências são essenciais para uma carreira empreendendo com impacto?
Uma das primeiras competências a serem exploradas é a capacidade de olhar para a própria carreira a partir de uma perspectiva independente, que priorize seus valores e desenvolvimento pessoal, dentro do seu contexto e potencializando sua intencionalidade. Definitivamente não se prenda a relações de codependência com quaisquer iniciativas e organizações. Sim, parece mais fácil falar do que fazer, mas os crescentes casos de burnout e depressão induzida por trabalhos sem significado servem para salientar a importância deste processo.
Depois podemos citar algumas competências mais instrumentais, tais como uma boa capacidade analítica, melhorando a capacidade de identificar problemas, soluções e montar modelos de negócio viáveis; a capacidade de se comunicar de forma estruturada, assertiva e engajadora, seja para vender soluções ou para engajar pessoas e organizações parceiras; e, não menos importante, a capacidade de se trabalhar bem em equipe.
Estas competências básicas podem ganhar ainda mais potência se aliadas a metodologias de ponta tanto para apoiar o estabelecimento e validação de hipóteses de diferentes modelos de negócios quanto para apoiar o desenvolvimento pessoal baseado em dar e receber feedbacks derivados de observação atenta e estruturada de evidências.
Se a prosperidade depende de inovação, que por sua vez depende da existência e prática de competências específicas, seguirá valendo a pena focar no desenvolvimento de capacidade analítica, habilidades de comunicação e trabalho em equipe o mais amplamente possível na população brasileira. Isto dará origem a melhores organizações, sejam ou não focadas em impacto.
Fica o convite para compartilharem nos comentários ideias sobre como fazer com que isto aconteça da forma mais rápida, profunda e abrangente possível.
*Márcio Jappe é sócio-fundador da Semente Negócios, mestre em inovação, tecnologia e sustentabilidade pela UFRGS.