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ARTIGO
POR – ANDRÉ NOVELLI*, DIRETOR ADMINISTRATIVO DA LAR PLÁSTICO, PARA NEO MONDO
Circularidade apresenta-se como opção mais viável para o meio ambiente, economia e a vida
O aumento do volume de lixo no mundo, principalmente o plástico, é um dilema que desafia diversos setores e questiona se a redução unicamente solucionaria grande parte dos problemas relacionados ao tema. Contudo, a ótica das pesquisas aponta para previsões bem longe do cenário ideal de desplastificação e sustentabilidade. Em um estudo recente, a WWF e WWF Brasil forneceu dados abrangentes sobre a poluição plástica e o impacto nos ecossistemas. Segundo o levantamento, a produção do material deve mais que dobrar até 2040, quadriplicando os detritos no oceano até 2050. Portanto, é possível avaliar que o apelo a consciência individual, apesar de válido, não é suficiente para a salvar o planeta do descarte desenfreado.
Descartar é, por definição, desconsiderar ou dar fim a algo. Porém, como podemos falar em findar um material que deixou de ter utilidade para nós? De que fim estamos falando? Se pararmos para analisar sobre o descarte de um resíduo, logo conclui-se que hoje não se joga fora e, sim, muda-se o objeto de lugar. Atualmente no Brasil, por exemplo, de acordo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais – ABRELPE, 40% do total de resíduos coletados são destinados para aterros controlados ou lixões a céu aberto, o que resulta em mais de 30 milhões de toneladas por ano em locais inapropriados.
Para os plásticos não é diferente, mesmo que os aterros sanitários, obras projetadas para tal finalidade, recebam o material pós-consumo, o volume do lixo produzido ainda parece incontrolável. O mundo caminha através de uma economia linear, conceito que implica na forma que os produtos são produzidos e consumidos. Nesse modelo, considerado o tradicional em todo o mundo, o processo não inclui o que pode acontecer após o fim da vida útil do mesmo. São inúmeros os problemas creditados à economia linear e ao consumo imoderado, especialmente os relacionados aos danos ao meio ambiente.
Em contrapartida, as pessoas e as organizações têm sido cada vez mais apresentadas a um novo modelo: a economia circular. Através dela, os resíduos deixam de ser considerados lixo e passam a ser tratados como matéria-prima. Como exemplo, basta pensar em uma embalagem plástica de amaciante de roupas. Após sua vida útil, qual pode ser seu destino? Se aplicar a linearidade, a mesma será destinada a um aterro sanitário, onde pode levar até 400 anos para ser decomposta pela natureza. Porém, se desenvolvida a circularidade, o material poderá ser reutilizado para armazenar novos conteúdos ou reciclado, tornando-se novamente um produto disponível para consumo. Esse processo, além de apoiar a cadeia social de catadores e cooperativas na geração de renda, é o método mais eficiente e ambientalmente limpo para tratar os rejeitos.
O Brasil, apesar de contar com a Política Nacional de Resíduos Sólidos e iniciativas de incentivo a preservação, recicla hoje apenas 2,1% do total de resíduos coletados e mantém esse percentual há pelo menos três anos, sem apresentar perspectivas animadoras. Os números revelam que o país ainda precisa avançar muito no quesito reciclagem, visando melhorar o ciclo do lixo produzido pela população e garantir um futuro ambiental e economicamente saudável. Para isso, a circularidade é o caminho e o desenvolvimento sustentável deve ser prioridade nos processos produtivos. É hora de pensar em economia circular!