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POR – REDAÇÃO NEO MONDO
Projeto Pirapora avançou para fase final do Acelerador de Soluções Baseadas na Natureza em Cidades, que apoiou 10 projetos verdes de todo o Brasil
Dentre os mais de 5,5 mil municípios brasileiros, há pouquíssimas cidades com projetos de infraestrutura sustentável que possam torná-las mais resilientes aos efeitos das mudanças climáticas. Uma delas é Maranguape (CE), onde vivem 131 mil pessoas. A cidade natal de Chico Anysio recebeu apoio do WRI Brasil no Acelerador de Soluções Baseadas na Natureza em Cidades e foi uma das selecionadas para a fase final do programa, com o projeto Parque Pirapora. Até abril de 2024, contará com capacitação e assessoria dedicada para que consiga acessar financiamento para implementar a ideia.
Liderado pela Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), o projeto prevê a construção de um parque multifuncional ao longo do curso do Rio Pirapora, que corta a cidade. Combinando equipamentos públicos com soluções baseadas na natureza como bacia de detenção naturalizada, jardins de chuva, biovaletas e trincheiras de infiltração, o parque realizará o manejo sustentável das águas pluviais, a revitalização do rio e a qualificação do espaço urbano adjacente.
“Maranguape propõe abordar uma questão fluvial sistêmica, profunda. É um grande projeto de adaptação”, avalia Henrique Evers, gerente de Desenvolvimento Urbano do WRI Brasil. “A seleção reconhece a qualidade dos projetos dos pontos de vista técnico, jurídico e financeiro, e o comprometimento dos proponentes com a adaptação climática, a equidade e o desenvolvimento urbano sustentável.”
Maranguape é conhecida por ser cidade natal de Chico Anysio e a casa onde o humorista nasceu está na área do Parque Pirapora. O projeto da Semurb prevê uma rua-piloto próximo à casa, onde o Governo do Estado implantará um complexo cultural. A rua em frente ao futuro complexo receberia uma série de intervenções de SBN, demonstraria o potencial paisagístico e a eficiência das soluções verdes e aumentaria a confiança no investimento no projeto em todo o território.
Morganna Rangel, diretora de Desenvolvimento Urbano da Semurb, comemorou a evolução do projeto ao longo da primeira fase do Acelerador. “As cidades médias e pequenas têm pouca estrutura, e a dificuldade é imensa para trazer um projeto como esse, em escala urbana, de transformação de várias comunidades. Precisamos de ajuda”, ponderou.
Pelos cálculos da Semurb, o parque poderia beneficiar diretamente mais de 11 mil pessoas, sendo mais de 4 mil em situação de pobreza. As intervenções ainda poderiam ser expandidas para o restante do município, com o potencial de evitar cerca de R$ 2 milhões em danos materiais até 2050, e R$ 7,8 milhões em produtividade sacrificada. do Parque Pirapora. “Sabemos que a economia da cidade é beneficiada pelo projeto, mas temos de compartilhar os ganhos com quem mais precisa”, afirmou Morganna.
Acelerador impulsionou projetos com potencial de beneficiar 3 milhões de pessoas
Ao longo de 2023, o Acelerador de SBN em Cidades ofereceu capacitações, mentoria e apoio técnico a projetos verdes de dez cidades de quatro regiões do país: Camaçari (BA), Campo Grande (MS), Estrela (RS), Maringá (PR), Maranguape (CE), Raposos (MG), Santos (SP), São Carlos (SP), São José dos Campos (SP) e Sobral (CE). O objetivo foi tornar os projetos mais qualificados e aumentar suas possibilidades de acessar financiamento. Se implementadas, as dez propostas beneficiariam 3 milhões de pessoas, trazendo ainda mais benefícios da natureza para as áreas urbanas.
“Projetos verdes como as soluções baseadas na natureza são inovadores e, por isso, desafiam as cidades. Ao fortalecer as capacidades técnica e institucional dos municípios para a criação de projetos robustos, em diálogo com outros setores do governo e da sociedade, o Acelerador aumenta as possibilidades das cidades para acessar financiamento e implementar as soluções”, destacou Luis Antonio Lindau, diretor do programa de Cidades do WRI Brasil.
“Esses dez projetos são exemplos de como reintegrar a natureza ao contexto urbano pode ajudar as cidades a enfrentarem grandes problemas, como a mudança do clima e a desigualdade no acesso a infraestrutura, serviços e espaços verdes. Os projetos representam a diversidade e a complexidade dos desafios que cidades brasileiras de diferentes portes e regiões enfrentam. Mas também demonstram o potencial da natureza para apoiar a solução”, afirma Juliana Baladelli Ribeiro, especialista em SBN da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, instituição que apoiou o Acelerador desde a concepção até a avaliação dos projetos.
Das dez cidades, apenas Campo Grande e Maranguape avançaram para a etapa final do Acelerador, em que os proponentes contarão com apoio individualizado adicional e novas oportunidades de refinamento da proposta e conexão com financiadores. A seleção dos dois projetos levou em conta a evolução das propostas ao longo dos primeiros oito meses capacitação e mentoria e a apresentação diante de uma banca de especialistas em um evento em Brasília, na manhã desta quinta-feira (10).
“Ver projetos tão maduros, que avançaram tanto, nos faz acreditar que é possível dar escala às SBN. Maranguape e Campo Grande têm a oportunidade de ser grandes cases no Brasil”, avalia Henrique Evers.
À tarde, os dez projetos puderam apresentar suas propostas a representantes de instituições financeiras regionais, nacionais e internacionais no evento FinanCidades, organizado pelo WRI Brasil e pela Rede para Financiamento de Infraestrutura Sustentável (Rede FISC).
O Acelerador de Soluções Baseadas na Natureza em Cidades é uma realização do WRI Brasil com apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. Conta com financiamento da Caterpillar Foundation e do Ministério do Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido (Defra UK), e parceria da iniciativa Cities4Forests e da Aliança Bioconexão Urbana.
Conheça os 10 projetos AQUI.