Da esquerda para a direita, Denise Ferreira da Silva, Bianca Santana e Selma Dealdina – Imagem: Divulgação
POR – REDAÇÃO NEO MONDO
No Brasil, ondas de calor, ciclones e estiagens se mostram como consequência da crise climática, e os que menos impactam o ambiente são os que mais sofrem: negros e indígenas
No dia 8 de novembro, o Observatório da Branquitude, que tem sede no Rio de Janeiro e se dedica à produção de conhecimento e incidência estratégica com foco na branquitude e suas estruturas de poder, realizará o seminário Emergência climática: uma herança da branquitude, para discutir a principal pauta da agenda global: a crise e a justiça climática.
As atuais ondas de calor, ciclones e estiagens são respostas a anos de exploração de uma cadeia extrativista comandada, sobretudo, por pessoas brancas. O seminário tem o objetivo de debater a responsabilidade da branquitude, que mantém uma série de privilégios materiais e simbólicos mesmo diante da emergência em que o planeta se encontra. Enquanto, as pessoas que menos impactam o ambiente são as que mais sofrem: as populações negra, indígena, quilombola, ribeirinha.
A responsabilidade da branquitude na eternização da desigualdade climática é um ponto pouco explorado do debate e, por isso, uma importante discussão proposta pelo seminário. Especialistas em clima, sociedade e estudos étnicos e raciais farão esse paralelo entre as questões raciais e a crise climática enfrentada hoje.
Para o encontro estão confirmadas as presenças da jornalista e escritora Bianca Santana, do pensador quilombola e professor Nego Bispo, da atual secretária do Meio Ambiente e do Clima do Rio de Janeiro Tainá de Paula, da escritora e ativista Nilma Bentes, da secretária executiva da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) Selma Dealdina, da cientista ambiental Gisele Moura, da coordenadora executiva da Casa Fluminense Larissa Amorim, do escritor, docente e coordenador do grupo de pesquisa desAiyê Alex de Jesus, da jornalista e ativista ambiental e periférica Mariana Belmont, e da pesquisadora, escritora e artista Denise Ferreira da Silva.
As discussões terão início às 9h30, com a mesa Contracolonialidade e justiça climática, conduzida por Nego Bispo, seguindo-se a mesa Desafios no enfrentamento ao racismo ambiental, da qual participam Tainá de Paula e Mariana Belmont com mediação de Larissa Amorim. Depois de uma pausa, o debate será retomadoàs 14 horas, para a conversa sobre o tema Territórios e resistências negras à branquitude, com participações de Selma Dealdina e Nilma Bentes, mediadas por Gisele Moura. Às 15h30, está prevista a quarta e última mesa de discussão, sobre o tema Branquitude e colonialidade: a emergência climática como herança, com análises de Alex de Jesus e Denise Ferreira da Silva emediação de Bianca Santana.
O evento será aberto ao público, que poderá participar por meio de inscrições antecipadas pelo link.
Sobre o Observatório da Branquitude
Fundado em 2022, o Observatório da Branquitude é uma iniciativa da sociedade civil dedicada a produzir conhecimento e incidência estratégica com foco na branquitude e suas estruturas de poder, materiais e simbólicos. Contando com uma equipe integralmente negra, multidisciplinar e com paridade de gênero, o Observatório da Branquitude é a primeira organização da sociedade civil com centralidade temática na análise da identidade racial branca e suas estruturas de poder.
SERVIÇO
Seminário Emergência climática: uma herança da branquitude
Data: 8/11/23 (quarta-feira)
Horário: 10 horas às 17h30
Local: IAB-RJ – Instituto de Arquitetos do Brasil no Rio de Janeiro
Endereço: Rua do Pinheiro, 10. Flamengo – RJ
PROGRAMAÇÃO
09h – Abertura
09h30 – 10h30
Mesa 1: Contracolonialidade e justiça climática
Nego Bispo
10h30 – 12h
Mesa 2: Desafios no enfrentamento ao racismo ambiental
Tainá de Paula
Mariana Belmont
Mediação: Larissa Amorim
12h- 14h
Intervalo para almoço
14h – 15h30
Mesa 3: Territórios e resistências negras à branquitude
Selma Dealdina
Nilma Bentes
Mediação: Gisele Moura
15h30 – 17h
Mesa 4: Branquitude e colonialidade: a emergência climática como herança
Alex de Jesus
Denise Ferreira da Silva*
Mediação: Bianca Santana
*Participação via videoconferência