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ARTIGO
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Por – Guibson Trindade* e Carolina da Costa*, articulista de Neo Mondo
A discussão sobre diversidade e inclusão conquistou, relativamente, a maior atenção do mundo corporativo nos últimos anos. Porém, a multiplicidade de abordagens, perspectivas, narrativas e objetivos, com muito pouca mediação da pesquisa acadêmica, gerou grande cacofonia e polarização na agenda. Temos que voltar ao básico e aos fatos. Nesse cenário, o Pacto de Promoção da Equidade Racial surge com um modelo estruturado e sistemático de abordagem, demonstrando que ações práticas e conectadas com o cerne da agenda podem gerar resultados.
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Oitenta empresas assinaram o Pacto, abarcando cerca de 500 mil trabalhadores em 26 setores da economia e impactando mais de 2 milhões de pessoas. A participação de mais de 500 companhias na segunda edição da Conferência Empresarial ESG Racial demonstra um forte compromisso com a transformação social. Sim, os negócios querem se engajar, mas também demandam metodologia, visão sistêmica e pensamento crítico.
Desde sua criação, o Pacto tem buscado implementar um protocolo ESG (Environmental, Social, and Governance) voltado para diversidade e inclusão nas empresas brasileiras. Com o uso do Índice ESG de Equidade Racial (IEER), a iniciativa promove não apenas diagnósticos, mas também orienta ações efetivas para promover maior equidade e diversidade de forma produtiva e consistente no ambiente corporativo. O IEER é uma ferramenta completa, desenvolvida por pesquisadores que avaliam diversos aspectos objetivos, incluindo oportunidades de equidade salarial e de progressão de carreira. Ele é confidencial e particular de cada empresa, sendo utilizado apenas para fins de aprendizagem e desenvolvimento.
Das empresas signatárias, 26 já calculam parte do IEER. Os resultados indicam que 50% delas implementaram ações afirmativas e 19% aprimoraram seus índices por meio de investimentos sociais. Em média, o IEER N2, que mede os avanços, teve uma melhora de 24% em relação ao N1. Esses dados revelam um avanço concreto, em contraste com abordagens que se limitam à ativismo sem resultados práticos. O IEER está em linha com pesquisa acadêmica recente no tema que demonstra que só diversidade demográfica não possui correlação com ganhos de resultados das empresas. O que gera resultados são fatores como senso de valorização, justiça e pertencimento observados nos colaboradores e presentes nas práticas dessas organizações. Ou seja, uma abordagem consistente e coerente com o cerne de DEI [vide Edmans, A. et al, 2024]. O Pacto mostra que é possível medir e avançar nessa agenda. Mais de 5 mil líderes já participaram de encontros formativos para aprender a aplicar ações eficazes em suas organizações.
Embora o Pacto tenha avançado, ainda enfrenta desafios, como a necessidade de promover mudanças culturais e enfrentar resistências. Em colaboração com organizações como B3 e Fecomércio, a iniciativa visa fortalecer a agenda de diversidade e inclusão por meio da troca de boas práticas e experiências.
Ao propor diagnósticos rigorosos e ações reais, o Pacto de Promoção da Equidade Racial se diferencia reafirmando a importância de uma abordagem focada em resultados e mediada por pesquisa acadêmica. Em um contexto de crescente polarização, iniciativas como essa são essenciais para promover um diálogo produtivo e transformador, indo além das narrativas e fazendo real diferença na sociedade.
*Guibson Trindade é especialista em ESG e Raça, Co-founder e Gerente Executivo no Pacto de Promoção da Equidade Racial e Professor Convidado na Fundação Dom Cabral.
*Carolina da Costa, PhD, é Chief Impact Officer da Stone. Conselheira em outras instituições (duas delas em ensino e pesquisa) e professora de pensamento crítico e sistêmico no Insper.