As 5 indústrias mais poluentes do planeta – Imagem gerada por IA – Foto: Divulgação/Freepik
POR – OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO
Em um tempo em que a ciência nos alerta, com precisão cada vez mais assustadora, sobre os limites planetários, repensar o modelo de desenvolvimento industrial deixou de ser uma opção — tornou-se uma missão inadiável da nossa geração. O Portal NEO MONDO mergulha neste panorama para revelar quais são as cinco indústrias mais poluentes do planeta e aponta caminhos possíveis para transformar esses gigantes ambientais em protagonistas de uma nova era: regenerativa, justa e consciente.
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1. Indústrias de Combustíveis fósseis e energia: a raiz da crise climática
Segundo as Nações Unidas, o setor de energia baseado em combustíveis fósseis é o principal responsável pelas mudanças climáticas, concentrando 75% das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE) e 90% das emissões de CO₂ desde a Revolução Industrial.
“A transição energética precisa ser justa e inclusiva, com foco na redução das desigualdades socioambientais. O Brasil tem tudo para liderar esse movimento com fontes limpas e renováveis”, afirma Fernanda Veiga, engenheira ambiental e pesquisadora do IEMA.
2. Indústria têxtil: o preço invisível da moda
Sedutora aos olhos, devastadora nos bastidores. A moda é a segunda indústria mais poluente do mundo, movida a fibras sintéticas derivadas de petróleo e responsável por toneladas de microplásticos que invadem nossos oceanos. Mesmo o algodão, tido como alternativa mais ecológica, exige volumes massivos de água e químicos para ser cultivado.
“Precisamos educar o consumidor e incentivar marcas comprometidas com uma moda ética e regenerativa”, destaca Gabriela Mazepa, estilista e referência em moda circular.
🔗 Fonte: UNEP – Sustainability and Fashion
3. Indústria química: poluição invisível, danos profundos
Onipresente na vida moderna, a indústria química está por trás de centenas de compostos tóxicos liberados no ar, na água e no solo. Muitos deles têm efeitos duradouros e acumulativos, colocando em risco não só o meio ambiente, mas também a saúde humana.
“A química verde é uma solução promissora, mas requer políticas públicas fortes e incentivo à inovação sustentável”, comenta a Dra. Marina Lucena, professora do Instituto de Química da UFRJ.
🔗 Fonte: European Environment Agency
4. Indústria alimentícia e pecuária: o impacto do que comemos
A forma como produzimos e consumimos alimentos é um dos principais motores da degradação ambiental. Segundo o IPCC, o setor alimentar responde por 23% das emissões globais de GEE, com destaque para a pecuária industrial, que lidera as emissões de metano e impulsiona o desmatamento de florestas tropicais.
“Precisamos de uma revolução alimentar com agroecologia, segurança alimentar e respeito aos biomas”, defende Ariane Silva, coordenadora de políticas públicas da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA).
🔗 Fonte: IPCC Special Report (2019)
5. Mineração: cicatrizes profundas na paisagem
Rica em recursos naturais, a indústria de mineração também carrega algumas das maiores feridas ambientais do planeta. O setor consome quantidades colossais de energia e água, gera rejeitos tóxicos e protagoniza desastres ecológicos, como os rompimentos de barragens em Mariana e Brumadinho.
“A mineração precisa de transparência, respeito às comunidades e rastreabilidade ambiental”, afirma Valéria Almeida, geógrafa do Instituto Socioambiental (ISA).
🔗 Fonte: IEA – Clean Energy Transitions
Rumo à regeneração: caminhos possíveis para o futuro
A crise ambiental é sistêmica — e exige respostas sistêmicas. Não há mais espaço para soluções paliativas. Precisamos reconstruir o modelo industrial com base na economia regenerativa, na ciência como norteadora de políticas públicas, e no diálogo com saberes ancestrais e comunitários.
📌 Iniciativas que valem acompanhar:
- Pacto Global da ONU
- Acordo de Escazú
- Science Based Targets Initiative
- Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura